A produção industrial brasileira caiu 1% em agosto na comparação com julho, de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales, disse no entanto, que o crescimento de 6,9% na produção industrial no acumulado e a taxa de 6% registrada nos últimos doze meses mostram uma evolução consistente do setor, apesar da queda registrada em agosto.
‘‘Há um padrão de movimento oscilatório para cima e para baixo mês a mês, mas na média a indústria apresenta um crescimento constante’’, disse o economista. O técnico destaca a evolução da produção de bens de capital, que subiu 11,4% no acumulado do ano. ‘‘O crescimento ser puxado por um setor como o de bens de capital, que mostra boas expectativas dentro da indústria e pode evitar o estrangulamento no futuro, denota uma boa qualidade do desenvolvimento industrial’’, avalia o economista.
Os resultados entusiasmaram o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que previu um forte crescimento para os próximos anos. ‘‘Acredito que temos todas as pré-condições para que a economia cresça entre 7% a 8% em 2002’’, disse o ministro. Pimenta da Veiga comentou que ‘‘viaja muito pelo País’’, tem visto sinais fortes nas indústrias, setor de serviços e agricultura. ‘‘Estamos, sem dúvida, vivendo um círculo virtuoso de crescimento.’’ -
De acordo com os dados do IBGE, também tiveram crescimentos expressivos no período de janeiro a agosto os bens de consumo duráveis (21,5%) e os intermediários (7,8%). Já os bens de consumo semi-duráveis e não-duráveis apresentaram queda de 1,1% em seus índices. ‘‘Se o ano terminar com o crescimento registrado no acumulado até agosto, o desempenho será superior a qualquer crescimento em um ano inteiro desde 1994, quando a indústria cresceu 7,5% de janeiro a dezembro’’, comentou o técnico do IBGE.
Na comparação com o mês de agosto do ano passado, a produção da indústria aumentou 7,7%, com desempenho positivo em 18 ramos dos vinte ramos industriais pesquisados. Também neste critério de comparação, o crescimento mais expressivo é o dos bens de capital, que atingiu 25,5%. Em seguida aparecem bens de consumo duráveis (20,2%) e bens intermediários (7%). Já os bens semiduráveis e não duráveis recuaram 0,4%.
Silvio Sales observa que o crescimento intenso da indústria na comparação entre agosto deste ano e agosto do ano passado pode puxar para cima a média do ano. ‘‘Se o crescimento na ponta se sustentar o resultado até o fim do ano pode ficar ainda melhor’’, diz.
Na confronto entre os meses de julho e de agosto, as principais quedas foram registradas em química (-3,0%), produtos alimentares (-3,5%) e têxtil (-3,2%). ‘‘No caso dos produtos alimentares a queda pode ser explicada pelos problemas com a safra’’, explica. ‘‘Na química também, já que os produtores de álcool, que estão nesta categoria, dependem da cana’’, diz. No caso dos produtos têxteis, Sales acredita que esteja ocorrendo uma acomodação depois de um período de crescimento intenso.

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