Produção industrial do PR recua 5,2% em março
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terça-feira, 12 de maio de 2015
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
A produção industrial paranaense recuou 5,2% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado, queda mais acentuada que a média nacional que ficou em 3,5%. Esta foi a terceira taxa negativa consecutiva no Estado. Nos três primeiros meses do ano, a indústria do Paraná acumula queda de 10,5%, enquanto a redução verificada no País foi de 5,9%. Em março, na comparação com fevereiro, houve queda de 2,3% na atividade industrial no Estado contra -0,8% no País.
Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Regional divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos últimos 12 meses encerrados em março, a indústria paranaense acumula queda de 8,4% e, na média nacional, a queda foi de 4,7%.
Na passagem de fevereiro para março, cinco dos 14 locais pesquisados pelo IBGE tiveram queda na produção industrial. Além do Paraná, os recuos ocorreram no Ceará (-3,1%), Minas Gerais (-2,5%), Pernambuco (-2,2%) e São Paulo (-0,8%).
Novamente, a queda na produção no Estado foi puxada pelo setor de veículos que apresentou recuo de 33,2% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram verificadas quedas em cinco das 13 atividades pesquisadas no Estado em março. Ainda apresentaram resultados negativos coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (-5,1%), produtos e minerais não metálicos (-13,4%), produtos de madeira (-4%) e produtos de borracha e material plástico (-5%).
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que, apesar da queda de 10,5% de janeiro a março, esse percentual ainda é menor que o recuo de 13,2% observado nos dois primeiros meses do ano. "É um sinal de que, aos poucos estamos começando a recuperar", avaliou.
Ele destacou que o setor automotivo continua influenciando fortemente a produção e as vendas da indústria. Este segmento foi afetado pela situação econômica do País e também pelas restrições ao crédito, além do volume menor de exportação para a Argentina. A redução observada em produtos e minerais não metálicos reflete a queda que ocorreu na construção civil, segundo Zurcher. Já o crescimento de 11,7% verificado em máquinas e equipamentos, já "é algo positivo", de acordo com o economista.
No entanto, ele prevê que a indústria tenha recuperação nos mesmos níveis de 2013 apenas no final do próximo ano ou somente em 2017.
Trimestre
Nos três primeiros meses do ano, as quedas mais significativas ocorreram em veículos (-37,5%), em coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (-19,4%), produtos alimentícios (-5,3%) e produtos de minerais não metálicos (-18,8%).
Zurcher prevê que a indústria do Estado vai fechar o ano em queda. Em 2014, a produção caiu 5,5% no Paraná. Em abril, ainda deve vir o impacto do aumento do ICMS no Paraná, além do aumento da inflação, da energia elétrica e, em junho, encerram todos os incentivos do IPI. "Tudo isso é pressão de custos", disse. Isso tudo pode acentuar as demissões no setor.
O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, disse que o resultado de março do Estado foi desfavorável, mas esperado. "A indústria é a mais prejudicada pelo contexto macroeconômico. A demanda doméstica recuou e isso faz a indústria sofrer", disse. Ele também prevê que a indústria paranaense feche o ano com resultado negativo. O que pode amenizar um pouco a queda é o setor de alimentos com a safra agrícola.


