O Paraná está entre os três estados brasileiros que tiveram as maiores altas da produção industrial em dezembro, segundo a Pesquisa Industrial de Produção Física Regional, divulgada mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O crescimento no Estado foi de 11,3%, índice que perde apenas para o Minas Gerais (12,6%) e do Rio de Janeiro (11,7%). Segundo a pesquisa do Instituto, a produção industrial cresceu na maioria das áreas pesquisadas. Das 12 áreas onde o levantamento é realizado, 11 apresentaram crescimento.
O aquecimento da indústria em dezembro é um movimento atípico. A produção costuma cair no mês, já que o setor passa por um pico de atividade até outubro para atender as encomendas de final de ano e depois diminui o ritmo nos meses seguintes.
Roberto Olinto, economista do IBGE, acredita que o movimento pode ter sido alimentado por um volume inesperado de vendas no final do ano. Ele lembra que a indústria cresceu, no último trimestre de 2000, a taxas muito maiores do que as esperadas inicialmente.
Já a indústria gaúcha cresceu a taxas recordes na década de 90. Nos últimos dez anos, a produção industrial do estado cresceu 33% acima da média nacional, de 21%. As indústrias mecânica e de material elétrico instaladas no estado dobraram sua produção. No ano passado, o crescimento da produção industrial do Rio Grande do Sul, de 8,8%, também foi o maior do País, seguido pelos 8,4% do Ceará e dos 7% de Minas Gerais.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro a produção industrial cresceu 6,5% e 6,7%, respectivamente, taxas praticamente idênticas à média nacional, de 6,5%.
A maioria dos demais estados em que a produção industrial cresceu acima da média nacional em 2000 também teve bons resultados na década.
Nas indústrias dos estados de Minas Gerais, Ceará, Espírito Santo e Rio de Janeiro o crescimento da produção foi pelo menos dez pontos percentuais maior do que o crescimento de São Paulo, que foi de 15% nos últimos dez anos.
Ainda é cedo, na avaliação de analistas, para falar em desconcentração industrial. A região Sudeste ainda é responsável por quase 60% de toda a produção nacional. O estado de São Paulo, por exemplo, concentra mais de um terço de toda a atividade econômica brasileira.
Paulo Levy, economista do Ipea, lembra que a indústria paulista foi a que mais sofreu com a queda das exportações gerada pela valorização cambial até 1999 e que já mostra sinais de que volta a crescer a ritmo mais acelerado.
Outra ressalva feita por especialistas é quanto à base de comparação. Como o setor industrial dos demais estados ainda é pequeno quando comparado ao de São Paulo, é relativamente mais fácil aumentar sua produção.

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