O Paraná foi um dos sete estados que apresentaram queda na produção industrial em outubro na comparação com setembro. A Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Regional divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou um recuo de 0,4% na produção no Estado em outubro enquanto a nacional ficou estável. Na comparação com outubro do ano passado, a indústria paranaense teve queda de 8,3% contra o recuo de 3,6% na média nacional. Houve retração em dez dos quinze locais pesquisados. A contribuição negativa, nessa base de comparação, veio do setor de veículos automotores, reboques e carrocerias, cuja produção caiu 29,2%, pressionada, sobretudo, pela crise do setor automotivo.
Outros setores que pressionaram negativamente a produção no Estado foram o de máquinas e equipamentos (-23,1%); produtos minerais não-metálicos (-13,4%); produtos de metal (-7,1%); e produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (-3,4%). Por outro lado, as contribuições positivas vieram dos setores de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,4%); celulose e papel (4,7%).
No acumulado de janeiro a outubro deste ano, a produção da indústria paranaense teve queda de 6,1%, contra redução de 3% na produção nacional. Foi a maior queda do País. Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o resultado acumulado no ano, mostra que a queda no setor industrial está diminuindo a velocidade.
No entanto, ele acredita que a recuperação efetivamente deve demorar cerca de dois anos. Ele explicou que a forte queda no setor de veículos está relacionada com a crise econômica brasileira e com a Argentina. Além disso, o setor vem sofrendo com aumento de juros e redução do crédito. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em outubro a produção nacional foi de 293,3 mil unidades ou 10,5% menor que em setembro. Segundo a entidade, esse resultado foi provocado por estoques que estavam elevados, além de juros altos e crédito reduzido.
Ainda para Zurcher, a queda na produção de máquinas e equipamentos mostra que os empresários não veem perspectivas positivas na economia e, por isso, os investimentos também são menores.
De janeiro a outubro, dos 13 setores pesquisados no Estado, nove diminuíram a produção, puxados por fabricação de veículos automotivos (-20,5%), máquinas e equipamentos (-11,9%), fabricação de móveis (-8,4%), produção de alimentos (-5,7%) e fabricação de produtos químicos (-2,9%). Nos últimos 12 meses, o resultado do Paraná também é negativo: - 4,8%. Para Zurcher, a queda na produção de alimentos ocorreu porque o consumidor vem substituindo marcas líderes de mercado por outras mais baratas. Segundo ele, com a alta da inflação, as indústrias vêm reduzindo o tamanho das embalagens para que a pessoa compre o produto gastando menos. Além disso, os alimentos que são exportados para a Argentina tiveram uma grande redução.
O economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, Francisco José Gouveia de Castro, disse que a agroindústria foi prejudicada pela quebra de safra de verão e pela redução nos preços das commodities internacionais, o que atingiu a indústria porque diminuiu a renda. "A inflação também tira o poder de compra e reduz o consumo, o que afeta da indústria", destacou. Ele lembrou ainda que a indústria vem sendo afetada pelo endividamento das famílias e pelos juros altos que oneram os investimentos do setor industrial. Zurcher prevê que a produção do setor no Estado feche com queda de 5,3% a 5,5% neste ano.

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