Produção industrial do Paraná tem a maior queda do País
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quarta-feira, 09 de junho de 2010
Andréa Bertoldi com Folhapress<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A produção industrial do Paraná teve a maior queda (-14,7%) em abril comparada a março entre os 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Brasil, sete dos 14 locais que fazem parte da pesquisa tiveram queda na produção. Na média nacional, a indústria apresentou retração de 0,7% na mesma base de comparação. As principais quedas ocorreram no Paraná, no Amazonas (-4,2%), no Rio de Janeiro (-3,4%) e em Pernambuco (-2,6%).
Os principais motivos que levaram a queda acentuada da produção do Paraná foram o menor número de dias úteis em abril com dois feriados no mês, o atraso na safra de soja e a redução nos setores de edição e impressão e produtos químicos. ''Abril é um mês atípico e sempre apresenta queda'', disse o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher.
Ele explicou ainda que, ao comparar apenas um mês isolado em relação ao mês anterior, não é possível ter uma informação correta do que está acontecendo. Ele lembrou que, no ano passado com a crise, a indústria do Paraná foi a segunda que menos caiu só perdendo para Goiás porque o agronegócio não sofreu tanto como outros Estados. ''Neste ano, estamos crescendo menos que outros Estados, mas sobre uma base elevada de 2009'', explicou.
Em relação a abril de 2009, o crescimento da produção paranaense foi de 8,7%, com nove das 14 atividades pesquisadas com resultados positivos. Os setores que mais cresceram foram veículos automotores (54,8%), máquinas e equipamentos (30,3%) e celulose e papel (16,4%). Os maiores impactos negativos vieram de edição e impressão (-21,4%) e outros produtos químicos (-32%).
Zurcher explicou que o setor de veículos tinha sido o mais afetado pela crise devido a muita exportação. Com isso, as empresas voltaram a produção mais para o mercado interno. Segundo ele, o segmento está se recuperando, mas as fábricas do Paraná ainda não voltaram ao nível pré-crise.
Ele destacou que um bom indicativo é o crescimento da produção de máquinas e equipamentos. Isso quer dizer que os empresários estão prevendo crescimento da economia e, por este motivo, estão investindo mais nestes produtos. Zurcher explicou que a queda em edição e impressão ocorreu porque em 2009 houve muita demanda com a reforma ortográfica. A redução na produção de produtos químicos pode estar associada a venda menor de defensivos e adubos para o campo devido ao atraso na safra, o que deve ser recuperado nos próximos meses.
Na comparação com abril de 2009, a atividade industrial subiu em todas as 14 regiões analisadas. Na média nacional, a indústria teve alta de 17,4%, na mesma relação. Deve-se levar em conta que no início do ano passado, diante dos efeitos da crise, a indústria sofreu um dos piores tombos da história recente. Em relação a igual período do ano passado, os principais avanços foram notados no Amazonas (34,1%), no Espírito Santo (29,8%), em Goiás (27,9%) e em Minas Gerais (25%).
De janeiro a abril, a indústria do Paraná cresceu 11,7%. Dos 14 ramos, 11 mostraram avanço na produção, com veículos automotores (64%), seguido por máquinas e equipamentos (40,9%) e artigos do mobiliário (54,8%). Entre os três setores que registraram taxas negativas, edição e impressão com queda de 17,9% foi a principal contribuição.
No acumulado dos últimos 12 meses, a produção do Paraná cresceu 2% e a do País 2,3%. A previsão de Zurcher é que a produção da indústria paranaense cresça, ao menos, 8% neste ano impulsionada pela safra, crédito abundante e incentivos na construção civil - como o PAC - que acabam multiplicando os efeitos em outros setores. ''Esperamos empatar ou até superar 2008'', disse.


