Curitiba - A produção industrial do Paraná teve queda de 10,8% em agosto deste ano comparado com o mesmo mês do ano passado. Foi a maior redução do País entre os 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, na comparação de agosto com julho, o setor começa a mostrar algum sinal de recuperação evidenciado pelo crescimento de 3%. Mas, no ano, o desempenho ficou praticamente estável, com um aumento de apenas 0,2% na produção no período de janeiro a agosto. Nos últimos 12 meses, o crescimento verificado foi de 3,9%.
Um dos setores que trouxe impacto negativo para a produção de agosto foi edição e impressão (-67,4%), que teve uma menor produção de livros, brochuras e impressos didáticos. A principal explicação é que a comparação foi com uma elevada base. Em agosto de 2011 o setor tinha crescido 120,9%.
O IBGE apontou ainda recuo no setor de veículos automotores (-12,6%), explicado pela diminuição na fabricação de caminhões, bombas injetoras para veículos e caminhão trator. Com a exigência de veículos a diesel menos poluentes a partir do início deste ano, os caminhões Euro 3 foram substituídos pelos Euro 5. Este tipo de veículo é mais moderno e, consequentemente, 10% a 15% mais caro. Isso fez os consumidores anteciparem as compras no ano passado, ocasionando queda na venda do produto em 2012. Aliado a isso, o setor sofreu com o desaquecimento da economia brasileira.
A Carta da Anfavea, publicação mensal da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, de agosto mostra que só o setor de caminhões teve uma queda de 30,5% em agosto comparado com o mesmo mês do ano passado. De janeiro a agosto, a redução na produção foi de 20,5%.
O setor de alimentos fez o caminho inverso e foi responsável pela principal contribuição positiva sobre o total da indústria paranaense, com crescimento de 7,6%, impulsionado por produtos como açúcar cristal, café solúvel e farinha de trigo. O proprietário do Moinho Guth, Roland Guth, lembrou que o Paraná é o maior parque moageiro do País e abriga 46 indústrias. Ele acredita que o aumento do poder aquisitivo da população pode ter impulsionado o crescimento da indústria de alimentos.
Outros setores que cresceram foram a indústria de madeira (15,9%), refino de petróleo e produção de álcool (4,7%), máquinas e equipamentos (4,9%) e celulose, papel e produtos de papel (5,5%).
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) Roberto Zurcher disse que a queda na produção industrial de agosto também pode ser explicada pela quebra na safra agrícola. Segundo ele, por outro lado, o setor de petróleo e álcool cresceu impulsionado pela oferta de crédito que levou as pessoas a comprarem mais carros. A indústria de madeira foi alavancada com o crescimento da venda de imóveis, que demandou um volume maior de móveis para as residências.
Ele classificou como positivo o crescimento do setor de máquinas e equipamentos. ''Isso mostra que os empresários estão vislumbrando um 2013 melhor que 2012 com as medidas que o governo adotou para estimular a indústria. Este é um setor que dá um direcionamento para onde a indústria caminha'', avaliou.
Zurcher disse ainda que o segundo semestre do ano é sempre melhor que o primeiro. O economista afirmou que o crescimento de agosto em relação a julho pode ser explicado porque o período de agosto a outubro é o de maior atividade da indústria, em função da preparação para as festas de final de ano.
Ele prevê que a produção industrial do Paraná tenha um crescimento de 2,5% a 3% em 2012, mas abaixo dos 7% do ano passado.

Imagem ilustrativa da imagem Produção industrial do Paraná recua 10,8% em agosto
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