A produção industrial do Paraná teve queda de 10,1% em maio comparada ao mesmo mês de 2014. Na mesma base comparação, o Estado teve o quinto pior resultado do País atrás somente do Ceará (-13,9%), São Paulo (-13,7%), Amazonas (-13,7%) e Rio Grande do Sul (-13,3%). A Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Regional divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) mostrou recuo no setor em 13 dos 15 locais pesquisados. O tombo da indústria paranaense foi pior que na média nacional que, em maio, recuou -8,8%.
Em maio na comparação com abril, a indústria paranaense teve uma pequena elevação de 0,3% na produção o que é considerado pelos especialistas na área como estabilidade. De janeiro a maio a indústria do Estado teve recuo de 8,8% e, nos últimos 12 meses encerrados em maio, a queda foi de 8%.
O avanço na produção industrial nacional na passagem de abril para maio, já descontados os efeitos sazonais, foi acompanhado por nove dos 14 locais investigados. Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve avanço de 0,5% na atividade no período, desempenho levemente aquém da média nacional (0,6%).
Na comparação com o mês de maio de 2014, 11 das 13 atividades pesquisadas no Estado tiveram recuo na produção. O desempenho negativo do parque industrial do Paraná foi puxado, mais uma vez, pela retração do setor de veículos automotores, reboques e carrocerias , que acumula queda de -42,6% nessa base de comparação.
Mas também houve queda acentuada nos setores de produtos de minerais não-metálicos (-18%); móveis (-16%); máquinas e equipamentos (-7,3%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,8); e produtos alimentícios (-2,2%). Os setores com destaque positivo foram celulose, papel e produtos de papel (16,3%) e produtos de madeira (10,1%).
Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o resultado de maio mostra que a indústria do Brasil e do Paraná ainda não reagiu. Ele prevê que estes resultados negativos vão continuar a se repetir nos próximos meses. O economista explicou que a queda de mais de 42% na indústria de veículos do Estado em maio ainda é reflexo da redução das exportações para a Argentina e da diminuição das vendas do setor no mercado interno.
Em relação ao segmento de alimentos, ele acredita que a redução identificada em maio pode estar relacionada com os produtores que seguraram mais a comercialização da produção agrícola para obterem melhores preços nos próximos meses. Além disso, ocorreu queda das exportações de alimentos mais sofisticados para a Argentina.
O professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Alves Porsse, acredita que a redução na produção de alimentos também pode ser explicada pela substituição de produtos, medida que as famílias estão adotando para driblar o endividamento. "As famílias estão muito endividadas com compras de veículo e imóvel que fizeram em anos anteriores e agora estão fazendo ajustes no orçamento para suportar essas prestações", disse.
Já a redução na produção de máquinas e equipamentos aponta, segundo Zurcher, que a indústria não está investindo, o que prejudica a atividade futura. A previsão dele é que a produção industrial do Paraná feche em queda em 2015. "Não há como reverter a queda de 8,8% que a indústria acumula neste ano em um espaço de sete meses", disse.
Porsse disse que não há nenhum sinal de que o quadro econômico vá se estabilizar, pelo contrário, as previsões são de continuidade da queda da atividade econômica. Até porque, segundo ele, o ajuste fiscal do governo não está plenamente implantado. "A recuperação da economia deve acontecer só no segundo semestre de 2016", disse. Ele também prevê que a produção industrial continue em queda e feche negativa ao final deste ano.

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