Indústria paranaense: recuperação nos segmentos automotivo, de transporte, de máquinas e equipamentos e de alimentação
Indústria paranaense: recuperação nos segmentos automotivo, de transporte, de máquinas e equipamentos e de alimentação | Foto: Roberto Custódio/03-03-2017



Na passagem de junho para julho, na série com ajuste sazonal, a produção industrial nacional cresceu 0,8%. Sete dos 14 locais pesquisados mostraram taxas positivas e o avanço mais intenso foi na Bahia (7,2%), que eliminou parte da perda de 10,1% verificada no mês anterior. Região Nordeste (3,2%), Pará (2,3%), Paraná (2,3%) e São Paulo (1,7%) também tiveram altas mais acentuadas do que a média nacional, enquanto Santa Catarina (0,7%) e Goiás (0,4%) completaram o conjunto de locais com índices positivos. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 7, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No indicador acumulado no ano, frente a igual período de 2016, a alta observada na produção nacional alcançou 11 dos 15 locais pesquisados, com destaque para o Paraná (3,9%), Santa Catarina (3,5%) e Espírito Santo (3,1%). Rio de Janeiro (2,4%), Minas Gerais (2,0%), Rio Grande do Sul (1,5%), Goiás (1,4%), Amazonas (1,3%), Ceará (0,9%), São Paulo (0,6%) e Pará (0,4%) completaram o conjunto de locais que acumularam altas no ano.
Nesses locais, o maior dinamismo foi influenciado pela expansão na fabricação de bens de capital (em especial aqueles voltados para o setor agrícola e para a construção); de bens intermediários (minérios de ferro, petróleo, celulose, siderurgia e derivados da extração da soja); de bens de consumo duráveis (automóveis e eletrodomésticos da "linha marrom"); e de bens de consumo semi e não duráveis (calçados, produtos têxteis e vestuário).
Marcelo Percicotti, economista da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná), atribui o bom desempenho da produção industrial do Estado ao fato de o setor ser "forte e bastante diversificada". Assim sendo, em uma crise, a queda na produção não é muito acentuada e, em uma recuperação, a retomada é mais rápida. "No momento de crise, a indústria tem queda menos acentuada e no momento que começa a retomada, ela é mais rápida e vigorosa. Temos setores industriais que estão mostrando recuperação, como o automotivo, de transporte, máquinas e equipamentos, alimentação." O economista acrescenta que o resultado positivo inclusive se observa no interior, com a presença da agroindústria e da metalmecânica.
"Porém, ainda temos um longo caminho pela frente", ressalva Percicotti. Segundo ele, a indústria está recuperando a sua capacidade produtiva e só então irá retomar os investimentos. "As indústrias fizeram no período de crise seus ajustes e agora estão recuperando parte de sua capacidade ociosa devido à retomada do consumo e do emprego. Após a recuperação vamos entrar em um ciclo mais relevante, que é a de retomada do investimento, que ainda não presenciamos hoje."
Presidente do Sindimetal (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos) do Norte do Paraná, Valter Orsi diz que o setor amadureceu na crise e agora se prepara para um crescimento consolidado. Esse amadurecimento, de acordo com ele, envolve um "descolamento" do setor da política. "Aprendemos que não podemos mais agir como antigamente. Precisamos ser mais produtivos e investir mais", declara.

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