Produção industrial do Paraná cresce 18,4%
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sexta-feira, 04 de março de 2011
Andréa Bertoldi <br>Equipe da Folha 
Curitiba - A produção industrial do Paraná cresceu 18,4% em janeiro deste ano comparado com o mesmo mês do ano passado e registrou o melhor resultado do País. Em relação a dezembro, o crescimento foi de 9%, ficando bem acima da média nacional (0,2%). No acumulado dos últimos 12 meses, o avanço do Paraná foi de 14,8%, também acima do Brasil que cresceu 9,4%. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para 2011, a previsão é que a indústria paranaense feche com bons resultados, mas menor do que o crescimento de 14% que aconteceu em 2010. O presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço, avalia que o aumento dos juros, a redução do crédito e o contingenciamento do orçamento devem segurar um pouco o desempenho da indústria. No Paraná, ele acredita nos efeitos da nova política de atração de investimentos do Governo do Estado com o Programa Paraná Competitivo.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, estima que o crescimento neste ano deve ficar na casa dos 7%. Para ele, o que deve levar a isso é a redução do crédito, o aumento do compulsório bancário e dos juros. ''São medidas necessárias porque não temos infraestrutura para suportar essa velocidade de crescimento. Não conseguiríamos atender a demanda nem com os importados'', disse. Zurcher comentou que a aposta agora é esperar que a agricultura paranaense continue bem e não ocorram problemas internacionais graves.
Entre os setores com resultado positivo na comparação de janeiro com o mesmo mês do ano anterior, destacam-se edição e impressão (115,2%), madeira (18,8%), produtos de metal (14%), minerais não metálicos (13%), mobiliário (12,2%), bebidas (10,4%), alimentos (9,3%), veículos automotores (8,3%), celulose e produtos de papel (2,5%), refino de petróleo e álcool (1,5%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,4%). Apresentaram resultados negativos os segmentos de máquinas e equipamentos (-2,2%), borracha e plástico (-5,1%) e outros produtos químicos (-17,2%).
Lourenço explicou que os setores de veículos e alimentos já estão em crescimento desde o segundo semestre de 2009. Os automóveis foram os que melhor responderam os estímulos de crédito. Os alimentos tiveram uma resposta rápida ao aumento da renda e da demanda dos países asiáticos, principalmente, a China. Ele acredita que a produção de alimentos deve continuar em alta com os efeitos da safra, da renda e dos preços internacionais de commodities como carne, açúcar e soja. Os veículos devem ter uma desaceleração na produção no segundo semestre com a redução do crédito.
Zurcher destacou que o bom desempenho da indústria do Estado em janeiro está ligado a influência da agricultura que leva renda a todo o Paraná e afeta a produção industrial. Além disso, o Estado tem mão de obra qualificada, infraestrutura relativamente boa e energia elétrica com qualidade e com um dos menores preços do Brasil, o que atrai empresas.


