Produção industrial do Paraná cai 4,8% em 2012
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quinta-feira, 07 de fevereiro de 2013
Fábio Galiotto<BR>Reportagem Local 
A produção industrial paranaense em 2012 caiu 4,8% em relação ao acumulado de 2011, resultado inferior à média nacional de 2,7%. Foi a quarta maior queda dos 14 locais analisados pela Pesquisa Industrial Mensal Produção Física, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A justificativa para o desempenho negativo no Estado é o efeito da crise econômica, que levou a um cenário de redução de investimentos em produção, com reflexo em toda a cadeia estadual e nacional.
O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Lourenço, afirma que a retração é reflexo da recessão na Europa e da estagnação nos Estados Unidos e no Japão, que, aliados ao câmbio que beneficia importações em detrimento das exportações, prejudicaram a indústria paranaense. Por isso, considera que seria difícil repetir o alto crescimento em 2011 sobre 2010, quando o setor cresceu 5,5% no Paraná e 0,3% no Brasil.
Lourenço exemplifica as altas de 2011 pelo segmento de edição e impressão, que cresceu 73,9% em dezembro daquele ano e caiu 73% no mesmo mês do ano passado. Da mesma forma, a produção de veículos passou de alta de 50,9% para queda de 57,3% na comparação entre os dois períodos. Ele conta que o Estado estava em curva acima do desempenho nacional até o fim do primeiro semestre de 2012, mas ficou abaixo desde então. "O Paraná paga o preço estatístico por ter crescido muito e deve se manter assim até o fim de março", afirma o presidente do Ipardes.
O professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), não concorda. "Importa o que cresceu no ano e é relevante a queda no Paraná ser maior do que no País", afirma. Para ele, o motivo é a baixa na produção de bens de capital, que indica menos investimentos, além do fato de o Estado ter uma indústria jovem e muito ligada ao setor automobilístico, que liderou a retração do setor no Estado.
As atividades responsáveis pela queda paranaense de 4,8% no acumulado de 2012 são veículos automotores (-16,2%), química (-10,1%), edição e impressão (-4,4%), minerais não metálicos (-3,4%), celulose e papel (-1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-0,8%), borracha e plástico (-0,8%) e produtos de metal (-0,1%).
Para o presidente do Ipardes, a queda da indústria automobilística mostra que o setor aproveitou os incentivos do governo federal, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para desovar estoques, e não para produzir mais. "O governo cedeu a pressões do setor e focou o consumo, quando deveria ter priorizado o aumento dos investimentos."
Lourenço diz que espera melhores resultados em 2013 devido à mudança de postura do governo federal, que deve levar a um empenho pela melhoria de infraestrutura. Porém, Staviski acredita que o setor não responde rapidamente a medidas e tudo vai depender da demanda. "O problema é que o custo de produção não se reduziu e a principal variável é a questão tributária, que sofreu ajustes, mas sem uma reforma real."



