Produção industrial deve fechar 2010 com expansão recorde
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quinta-feira, 06 de janeiro de 2011
Pedro Soares <br>Folhapress 
Rio de Janeiro - A produção da indústria brasileira deve fechar 2010 com a maior marca da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1991. A alta acumulada de 11,1% até novembro supera o recorde anual de 2004 (8,3%).
Por conta de uma base mais forte de comparação nos meses finais de 2009 e da estagnação da produção nos últimos meses de 2010, porém, a indústria registra taxas mais moderadas de crescimento na comparação mensal com 2009.
De janeiro a junho, os índices oscilavam de 11% a 20%. Em outubro, a expansão foi de 1,8% ante o mesmo mês de 2009. Em novembro, ficou em 5,3% na mesma base de comparação.
Para o economista André Macedo, do IBGE, a aceleração em novembro ocorreu porque aquele mês de 2009 registrou uma base mais fraca e outubro de 2010 teve menos dias úteis do que no mesmo mês do ano anterior.
Na avaliação do analista, o setor industrial viveu uma fase de ''acomodação'' em seu ritmo de produção de agosto a novembro de 2010, provocado por ''maior volume de importações e pela dificuldade de alguns setores em colocar seus produtos no exterior''.
Diante disso, a produção patinou desde agosto, oscilando em torno da estabilidade - em novembro, registrou leve recuo de 0,1% na taxa livre de influências sazonais comparada com outubro.
Para Macedo, setores como máquinas e equipamentos, calçados, têxteis, eletroeletrônicos e outros sofrem com a entrada no país de um maior volume de produtos importados. Esses mesmos ramos, diz, também têm dificuldade em ampliar suas exportações.
Outro fator que inibiu a produção no segundo semestre de 2010, afirma, foi o acúmulo de estoques de alguns setores, como o de veículos automotores - cuja produção caiu 0,5% de outubro para novembro.
A boa notícia de novembro, entretanto, foi a retomada da produção de bens de capital (máquinas e equipamentos), o que sinaliza a recuperação dos investimentos. Após dois meses em queda, a categoria registrou expansão de 3,2% de outubro para novembro.


