A produção industrial caiu 12,4% em novembro de 2015 em relação ao mesmo mês de 2014, o que contribuiu para que o acumulado desde janeiro ficasse negativo em 8,1%, conforme divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De 25 atividades pesquisadas, somente a alimentícia e a de bebidas tiveram ínfimos resultados positivos no mesmo comparativo, com 0,1% e 0,05%, respectivamente.
As maiores retrações são sobre produtos duráveis ou equipamentos, reflexo da baixa oferta de crédito ao consumidor e da desconfiança do empresário, dizem analistas ouvidos pela FOLHA. Na divisão por categorias, os bens de capital, que representam investimentos, caíram 31,2% em novembro ante o mesmo mês de 2014. Na sequência aparecem os bens de consumo duráveis(-29,1%), os intermediários (-10,8%), e os bens de consumo semiduráveis ou não duráveis (-4,8%).
No geral, a indústria recuou 2,4% em relação a outubro e 7,7% em 12 meses. O índice de média móvel trimestral da produção industrial diminuiu 1,6% no trimestre encerrado em novembro em relação aos três meses até outubro, conforme o IBGE.

RECORDE NEGATIVO
Sexta retração mensal consecutiva, a sequência é inédita na série histórica iniciada em 2002. "Nunca se tinha visto uma sequência tão grande", diz o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo. Ele aponta que a indústria acumulou perda de 8,3% somente entre junho a novembro.
Para o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o indicador mais importante é o de bens de capital. "Indica uma previsão dos empresários sobre o futuro, então mostra que não esperam uma retomada tão cedo", diz.
No caso dos bens duráveis, Zurcher lembra que se tratam de produtos mais caros, que dependem de acesso ao crédito para serem consumidos. Problema que, aliado à alta inflação e à pressão de custos devido ao salto nas tarifas de energia elétrica, nos preços de combustíveis e na cotação do dólar para insumos importados, derrubou a competitividade da indústria nacional ainda mais.
Os automóveis e os eletrodomésticos tiveram o ritmo de queda na produção ampliado. De setembro a novembro, o recuo em veículos foi de 34,2% e na linha branca, de 22,5%, na comparação com igual período de 2014. Por isso, o economista da Fiep aponta para o aumento do desemprego, além da mudança de pequenas e médias fábricas para Paraguai, França ou países da Ásia, ou mesmo de falência. "A economia brasileira deve continuar com baixa atividade em 2016 e, dependendo do setor, é possível que se adequem ao patamar atual, com demissões, redução de custos e lançamento de produtos para novos nichos", explica.

Fusões
Outra opção para a sobrevivência na indústria são as fusões e aquisições. "O que tradicionalmente ocorre em períodos recessivos é isso, com industriais buscando sinergias e parcerias", considera o coordenador do Núcleo de Macroeconomia e Conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Guilherme Amorim. Ele lembra que o setor pode conseguir algum fôlego à medida que conquiste o mercado internacional e que a produção nacional de insumos aumente, ambos diante da valorização do dólar. "Mas isso não é instantâneo e a tendência é que ainda tenhamos retração em 2016, com início de números positivos em 2017", completa.

Generalizado
No acumulado de janeiro a novembro de 2015, houve recuo na produção de 25 dos 26 ramos, de 71 dos 79 grupos e de 77,6% dos 805 produtos pesquisados. O principal impacto negativo foi em veículos automotores, reboques e carrocerias (-25,6%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-29,6%), máquinas e equipamentos (-13,8%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-5,8%), metalurgia (-8,5%), produtos alimentícios (-2,8%), produtos de metal (-10,9%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-12,9%). A única positiva foi a indústria extrativa (4,7%).

Imagem ilustrativa da imagem Produção industrial desaba 12% em novembro
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