Rio A produção da indústria brasileira cresceu 2,4% no ano passado, puxada pela agroindústria, extração de petróleo e gás e exportações. Esse resultado foi inteiramente obtido no segundo semestre, período em que a indústria aumentou em 4,7% sua produção, contra queda de 0,1% nos primeiros seis meses.
De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados ontem, foi um desempenho melhor do que o crescimento de 1,6% de 2001, mas muito aquém dos 6,6% de 2000.
Com base na produção industrial - e nos números disponíveis referentes aos setores agrícola e de serviços -, analistas ouvidos pela Folha de S.Paulo estimaram que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2002 deverá ficar entre 1,7% e 1,8%. A se confirmar, será um desempenho apenas ligeiramente melhor que o 1,4% registrado em 2001.
O chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales, considerou boa a performance da indústria, diante do cenário econômico desfavorável que predominou em 2002. ''No contexto em que ocorreu, é um número significativo'', afirmou.
Em dezembro, a produção industrial cresceu 5,5%, na comparação com o mesmo mês de 2001, mantendo uma sequência de sete meses seguidos. Na comparação com novembro de 2002, porém, houve queda de 1,8% já descontadas as influências sazonais. Foi interrompida, assim, a sequência de seis meses consecutivos de alta iniciada em junho do ano passado.
Paradas programadas para manutenção de poços de petróleo constituíram a principal razão da queda na produção em dezembro, na comparação com o mês anterior, já que esse vem sendo um dos segmentos que sustentam o avanço do setor industrial.
A produção da indústria extrativa mineral caiu 7%. A indústria mecânica, que vinha apresentando crescimento expressivo com o aumento das vendas de carros, recuou 4,5%.
Na comparação com novembro, o IBGE contabilizou quedas de produção em 18 dos 20 ramos pesquisados. A produção de bens de capital recuou 8,5%; de bens intermediários, 0,7%; de bens consumo duráveis, 1,5%; e de bens de consumo não-duráveis, 1,4%.
Para o economista Francisco Pessoa Faria, da consultoria LCA, os sucessivos aumentos dos juros, ao longo do ano passado, refletiram-se na produção de bens de capital. Ele identificou uma ''reação preventiva'' por parte do empresários.

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