Rio de Janeiro – Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que a produção da indústria apresentou crescimento pela primeira vez em oito meses. Sem levar em conta efeitos sazonais (típicos de cada período), o setor cresceu 1,4% em novembro na comparação com outubro. Esse foi o melhor desempenho da indústria desde dezembro de 2000, quando o crescimento havia sido de 6,8%.
Em relação a novembro de 2000, no entanto, a produção da indústria caiu, mas com menor intensidade: a retração foi de 2%, menos do que os 3,2% de outubro ante o mesmo mês de 2000.
Para a economista do Departamento de Indústria do IBGE, Mariana Rebouças, o crescimento em novembro ‘‘pode ser um primeiro sinal de uma recuperação’’ do setor. O economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Paulo Levy, concorda que houve uma pequena recuperação da demanda. Essa reação, afirma, foi puxada pela folga do racionamento.
Mas, segundo Levy, ainda é cedo para falar em recuperação da indústria, pois em dezembro a produção deve recuar devido à base de comparação elevada – em dezembro de 2000 houve um crescimento expressivo da produção de 6,8%.
Segundo Levy, a taxa de novembro foi muito influenciada pelo setor extrativo mineral, cuja produção subiu 8% – a maior alta de todos os ramos. Esse crescimento, diz, é em razão da retomada da produção após a greve da Petrobras de outubro. O petróleo é o principal item desse ramo. O próprio IBGE admite o efeito positivo do final da greve. Levy estima que uma recuperação, de fato, com taxas de crescimento contínuo, só deve ocorrer a partir do primeiro trimestre deste ano.
Na opinião da economista Mariana Rebouças, do IBGE, o crescimento foi sustentado pela melhora das expectativas em relação à economia a partir do ‘‘descolamento da crise da Argentina’’, que permitiu a queda do dólar no Brasil.
Segundo Mariana Rebouças, esse fenômeno, aliado ao relaxamento do racionamento, trouxe confiança para o consumidor voltar a comprar, ativando a produção. Sinal desse início de recuperação, afirma ela, é o crescimento por três meses consecutivos da produção de bens duráveis (que incluí automóveis e eletrodomésticos), que havia caído entre março e setembro. Em novembro, o crescimento da categoria foi de 3,4% ante outubro.
O IBGE destaca ainda o comportamento positivo de bens não-duráveis, com crescimento de 3,7% em novembro ante igual mês de 2000.
Por outro lado, os bens de capital (máquinas e equipamentos usados na produção), que vinham crescendo até agosto, perderam fôlego. A categoria teve queda de 3,1% de outubro para novembro.

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