A produção industrial em junho cresceu 0,20% no País depois de três meses de índices negativos. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, há uma queda de 5,5%. No acumulado do ano, a retração é de 3,8%. Os números foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou o resultado positivo, mas analistas de mercado e representantes da indústria paranaense o consideraram decepcionante.
Para Mantega, a produção industrial passa neste momento por um ''ponto de inflexão''. ''A produção industrial está dando uma virada, depois de crescimento negativo por vários meses seguidos'', afirmou Mantega. ''Daqui para frente, vamos ter resultados melhores'', previu.
Pesquisa realizada pelo AE Projeções mostrava que o intervalo das estimativas para o dado na comparação mensal ia de avanço de 0,30% a 1,70%, com mediana de 0,80%. No confronto com o sexto mês do ano passado, as previsões apontavam uma queda de 3,20% a 5,30%, com mediana negativa de 4,50%.
''A produção industrial decepcionou mais uma vez e aponta para um segundo trimestre fraco da economia. Indica que a retomada ainda não aconteceu e que teremos um crescimento próximo do visto no primeiro trimestre'', avaliou o estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno.
O resultado bem mais fraco que o esperado da indústria mostra que as medidas de estímulo que o governo tem adotado nos últimos meses não têm surtido o efeito desejado, avalia a economista-chefe da Mapfre Investimentos, Helena Veronese, que previa crescimento de 0,6% para a produção na margem. ''Mesmo com as medidas de estímulo, a produção não se fortaleceu e o resultado deste mês foi positivo (ainda que pouco) basicamente por conta da produção de veículos'', disse. Segundo o IBGE, a produção de veículos avançou 3,0% em junho.
A indústria paranaense tem uma situação mais confortável que a dos demais estados. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), as vendas tiveram um pequeno aumento, de 0,3%, no primeiro quadrimestre de 2012 na comparação com o mesmo paríodo do ano passado. ''O mês de maio foi o melhor dos últimos dez anos'', afirma o vice-presidente da entidade, Hommel Barion. Impulsionadas pela isenção de IPI para veículos 1.0, as vendas cresceram 17%.
Mas, na opinião dele, as medidas tomadas pelo governo são pontuais e não se sustentam a longo prazo. ''A Fiep mantém expectativas mais modestas neste ano'', afirma. Ele cobra medidas ''estruturantes'', como as reformas tributária trabalhista.
Presidente do Sindicato das Indústrias Metal-Mecânicas de Londrina (Sindimetal), Valter Orsi, tem opinião parecida. ''Faz muitos anos que a gente discute a necessidade de rever o Custo Brasil, reduzir a burocracia e investir em infraestrutura. A tendência é que nós tenhamos o menor crescimento dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China) neste ano'', disse.
Segundo Orsi, o segmento metal-mecânico vem apresentando um crescimento pífio decorrente de estratégias pontuais do governo. '' Mas a situação está muito difícil e com certeza teremos demissões'', afirmou. (Com Agência Estado)

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