A produção industrial deverá fechar este ano com um crescimento entre 4% e 4,5%, segundo o economista responsável pela pesquisa industrial realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sílvio Salles. Isso significa um resultado superior ao acumulado dos dois últimos anos, quando a produção da indústria cresceu 3,2%.
Se essa estimativa se confirmar, a produtividade aumentará 9,5% este ano, prevendo-se uma taxa de desemprego de 5% para 1997. Em outubro, a produção teve uma expansão de 0,4% em relação ao mês anterior, o terceiro consecutivo, acumulando um crescimento de 3,6% entre julho e outubro. ‘‘O nível de produção registrado em outubro se aproxima do recorde da série obtido em dezembro’’, disse Salles, que divulgou ontem os números.
Ele preferiu não fazer estimativas sobre o desempenho da produção para o primeiro trimestre de 1998, observando que tudo dependerá do comportamento da economia no fim deste ano. Os dados contraditórios que têm sido apresentados (aumento de venda nos shoppings e nas vendas a crédito e queda da produção do setor automobilístico), no entanto, ainda não permitem uma análise mais precisa sobre a economia no início de 1998.
‘‘Tudo vai depender de quanto de estoque o comércio e a indústria vão carregar para o ano seguinte, mas é possível esperar um primeiro trimestre com um resultado abaixo do último trimestre de 1997’’, disse. O IBGE trabalha com a expectativa de crescimento nulo nos dois últimos meses deste ano em relação a 1996.
O economista observa que a variável chave para saber qual será o novo nivel da produção industrial no próximo ano é o comportamento do comércio. ‘‘Assim que foi anunciado o pacote do governo a leitura era negativa, mas, agora, com o aumento das vendas nos shoppings não sabemos, ainda, se estaria por começar um novo ciclo de endividamento’’, avaliou.
Até outubro, a indústria vinha mostrando um conjunto de resultados favoráveis, um comportamento diferente do observado no início do ano, quando a produção vinha oscilando mês a mês. Nos últimos três meses, o sinal foi sempre positivo (expansão de 3,6% entre julho e outubro).
Salles observou que, depois do crescimento acumulado de 6% no primeiro semestre do ano, as estimativas apontavam para um resultado menor nos seis últimos meses, uma vez que a base de comparação (mesmo período de 1996) era muito elevada. ‘‘Mas isso não ocorreu na dimensão que imaginávamos’’, disse.’’

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