Curitiba  A indústria paranaense iniciou um movimento de recuperação nos meses de agosto e setembro. De acordo com dados conjunturais analisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o aumento de produção, de nível de emprego, de vendas e de exportações em setembro demonstra a retomada do crescimento industrial.
  A produção industrial no mês foi 9,57% maior do que em setembro de 2001. A média brasileira foi de 5,6%. De acordo com o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado do Paraná (Fetiep), Luiz Ary Gin, essa alta foi puxada pelo aumento de exportações. ‘‘Isso ocorreu pelo fato do real ter se desvalorizado, o que deixou nossos produtos mais competitivos’’, relatou. As exportações paranaenses cresceram 87,5%. Segundo Gin, o resultado também foi influenciado pela comparação com setembro de 2001, quando havia reflexos do apagão da energia e dos atentados terroristas nos Estados Unidos.
  Mesmo com a base de comparação deprimida, os dados asseguram uma retomada produtiva, avaliou o economista do Dieese, Cid Cordeiro. ‘‘Foi recuperada boa parte do que havia sido perdido nos últimos anos’’, relatou. Desde 1998 a indústria paranaense não apresentava crescimento em setembro, mês tradicional de pico de produção, quando o setor se prepara para o Natal. ‘‘Mas a alta também ocorreu por causa da subsitituição de importações. Com o dólar muito caro, as empresas interiorizaram suas compras’’, ponderou.
  Outros dados de setembro mostram o bom momento industrial: as vendas reais aumentaram 3,37%; as compras reais, 32,26%; o consumo de energia, 2,9%; a folha de pagamento, 0,62%; e o número médio de horas pagas, 0,8%. Apenas a arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sofreu queda no mês, de 25,31%. Segundo Cordeiro, isso ocorreu porque muitos empresários se valeram de créditos fiscais e muitos têm benefícios cedidos pelo governo estadual.
  Alguns indicadores do acumulado entre janeiro e setembro também são positivos, apesar do setor ter passado por meses de baixa produção. Nesse período, o nível de emprego subiu 7,05%; a produção, 0,19%, as compras, 6,17%, as exportações, 3,74%, o consumo de energia, 3,33%, o número médio de horas pagas, 0,47%; e arrecadação de ICMS, 3,74%. Tiveram queda as vendas reais (-0,74%) e a folha de pagamento média (-0,52%). O interior foi responsável por 87% das 30 mil novas vagas criadas na indústria do Paraná nesse período.

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