Produção industrial cresce 2,5% em janeiro, diz IBGE
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de março de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A produção industrial brasileira cresceu 2,5% em janeiro na comparação com dezembro, na série livre de influências sazonais. O número foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Em dezembro, o índice havia recuado 1,3% e, em novembro, subido apenas 0,2%. Com o crescimento de janeiro, a taxa acumulada dos últimos 12 meses saiu de -2,6% para -1,9%. Na comparação entre janeiro deste ano e janeiro de 2012, a expansão é de 5,7%.
Entre as atividades, as principais influências positivas foram registradas por veículos automotores (4,7%), refino de petróleo e produção de álcool (5,2%), máquinas e equipamentos (5,7%), farmacêutica (5,6%) e material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (10,5%). Também apresentaram expansões importantes calçados e artigos de couro (13,8%), produtos de metal (3,3%), outros produtos químicos (1,5%), mobiliário (8,5%), metalurgia básica (1,9%) e alimentos (0,8%).
Já entre as atividades que reduziram produção, os desempenhos de maior importância para a média global foram registrados por indústrias extrativas (-6,6%), fumo (-53,5%) e outros equipamentos de transporte (-4,3%).
Chama atenção o crescimento do setor de bens de capital, de 8,2%. Ele é um indicador importante do ritmo da economia. A expansão foi a mais intensa desde junho de 2008 (8,8%) e interrompeu dois meses seguidos de queda na produção, período em que acumulou perda de 0,7%.
Roberto Zurcher, economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), acredita que a expansão dos bens de capital está relacionada aos juros baixos oferecidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Em alguns casos, as máquinas e equipamentos estão sendo financiados a juros reais negativos (menores que a inflação)", afirma. Segundo o BNDES, as taxas para máquinas, equipamentos, caminhões e ônibus, pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), vão de 3% a 3,5% ao ano.
De acordo com o economista, os números do IBGE precisam ser olhados com cautela. "No terceiro trimestre do ano passado, nós também tivemos uma recuperação, mas os últimos meses do ano foram bem fracos", analisa. Zurcher diz que as sondagens feitas pela Fiep junto aos industriais paranaenses, que começam a ser divulgadas em breve, mostrarão que eles estão "pisando em ovos". "Na sondagem de dezembro, apontavam um cenário nebuloso."
O economista acredita que a inflação é a principal inimiga a impedir a retomada do crescimento industrial. "Ela vem ganhando força e o governo terá de agir para controlá-la", ressalta. Isso deverá significar aumento das taxas de juros ou corte no crédito. "A indústria sofrerá se isso ocorrer", afirma.
Diretor da Indusfrio, empresa fabricante de equipamentos para cozinhas profissionais de Londrina, e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Sindimetal), Valter Orsi, diz que o ano começou aquecido. "Estou sentido na minha empresa", declara. Mas ressalva que a melhora se dá na comparação com o ano passado, que foi muito ruim. "2012 foi um ano para a indústria esquecer", afirma.
Ele lamenta que o governo esteja retirando incentivos dados à indústria no ano passado, como a redução do pagamento do Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca e dos automóveis. "O certo seria expandir." Orsi reclama que a rentabilidade do setor vem caindo muito. "Os custos crescem ao mesmo tempo que a concorrência cresce. Essa é uma situação difícil para nós", ressalta.



