Produção industrial cresce 2% em janeiro
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quarta-feira, 04 de março de 2015
Daniela Amorim<br> Agência Estado 
Rio - A produção da indústria brasileira avançou 2% na passagem de dezembro para janeiro. Mas o resultado positivo não é suficiente para recuperar as perdas anteriores nem reverte a tendência negativa apresentada pelo setor, observou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O recuo acumulado apenas nos dois últimos meses de 2014 foi de 4,3%, de acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados ontem pelo instituto. "O resultado positivo em janeiro é melhor do que se fosse negativo. Mas esse crescimento não reverte a trajetória descendente que a indústria havia mostrado. É um crescimento que se dá sobre uma base de comparação baixa. Há predomínio de taxas negativas durante o ano passado", lembrou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.
Com exceção do setor extrativo, as atividades que mais contribuíram para que a indústria brasileira começasse 2015 no azul vinham de resultados negativos em meses anteriores: alimentos, máquinas e equipamentos, metalurgia, e aparelhos e materiais elétricos. O retorno ao trabalho após férias coletivas em montadoras de caminhões também teve reflexo positivo sobre a produção de bens de capital. Mas analistas acreditam que a indústria como um todo voltará a cair em fevereiro, após um desempenho positivo apenas pontual em janeiro.
"O cenário de baixa confiança limita a reação da indústria no curto prazo", avaliou o economista Rafael Bacciotti, analista da Tendências Consultoria Integrada, que prevê queda de 2,8% na indústria em 2015.
A indústria opera 8,9% abaixo do pico histórico, registrado em junho de 2013. Em relação a janeiro de 2014, houve redução de 5,2% na produção, puxada pela queda em 20 dos 26 ramos investigados, com destaque para a atividade de veículos (-18,2%). Na avaliação do economista-chefe da Porto Seguro Investimentos, José Pena, é mais um resultado que sinaliza um Produto Interno Bruto (PIB) minguando no primeiro trimestre. "Tudo indica que o PIB no primeiro trimestre será negativo", alertou Pena.
A produção industrial terá retração de 4,5% em 2015, após o recuo de 3,3% registrado em 2014, prevê o economista-chefe da Concórdia Corretora de Valores, Flávio Combat. "Passamos a incorporar na nossa previsão um racionamento de energia, que já existe de fato, só falta ser oficializado", justificou Combat, apontando como principais prejudicados os setores produtores de bens de capital e bens de consumo duráveis.


