A produção industrial brasileira medida pelo IBGE apresentou queda de 1,2% em julho deste ano, em relação a junho. Foi a quinta queda consecutiva da produção na comparação com o mês anterior. De março a julho, a indústria acumula queda de 6,2%, embora nos sete primeiros meses do ano o indicador continue positivo em 4,3%, na comparação com igual período do ano anterior.
A produção de julho, comparada com a de julho do ano passado, cresceu 0,8%, surpreendendo o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales. Em junho, a produção havia caído 1,1% em relação a junho de 2000.
Sales disse que o desempenho positivo de julho em relação ao mesmo mês do ano anterior teve como destaque o desempenho da indústria de bens de capital (máquinas e equipamentos), que cresceu 15,5%.
De acordo com Sales, o desempenho da indústria de bens de capital, embora não permita uma ''leitura otimista'' dos dados gerais, demonstra que o clima negativo ainda não foi suficiente para levar os empresários a cancelarem encomendas feitas anteriormente.
''Até julho a expectativa negativa não aparece nas estatísticas (de bens de capital)'', afirmou. A importância da indústria de bens de capital é que ela produz máquinas para outras indústrias (ramo que cresceu 15,7% em julho), além de outros bens sob encomenda, como máquinas agrícolas (crescimento de 21,8%).
A indústria de bens de capital também teve forte impacto positivo da produção de bens para o setor de energia elétrica, como geradores. A crise energética fez com que esse setor crescesse 56,5% em julho, sobre julho de 2000.
Além da categoria de bens de capital, foram destaques positivos em julho, na comparação com julho de 2000, as indústrias de alimentos (mais 7,9%) e a extrativa mineral (7,3%).
Sales disse que a crise energética não fez com que a queda de produção industrial nos meses de junho e julho (o racionamento começou em junho) fosse superior à que vinha se registrando nos meses anteriores. A queda acumulada no bimestre junho/julho, em relação aos meses anteriores, foi de 2,1%. De março a julho, foi de 6,2%.

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