Produção industrial cai e indica recessão
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terça-feira, 08 de julho de 2003
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio A produção industrial do País estagnou em maio e prossegue em tendência de queda, segundo divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados de maio ficaram próximos de zero, com redução de 0,3% em relação a igual mês do ano passado e aumento de 0,1% comparado a abril. No acumulado no ano houve forte desaceleração, com a variação despencando dos 2,6% registrados no primeiro trimestre para 0,6% de janeiro a maio. Ou seja, a queda na produção em maio e, sobretudo, em abril (-3,7%), anulou o crescimento do início do ano.
''O setor está desacelerando porque os efeitos positivos da agroindústria e das exportações não têm sido suficientes para evitar a pressão negativa do mercado interno'', avalia o chefe da coordenação de indústria do IBGE, Silvio Sales. A queda de consumo doméstico está clara em segmentos como o de bens duráveis, cujas vendas caíram 7,7% em maio em relação a igual mês do ano passado, após amargar reduções significativas também em abril (-13,1%) e maio (-14,8%).
O analista Juan Jensen, da Tendências Consultoria, também atribui o que chamou de ''recessão'' industrial à retração do consumo interno. ''O principal motivo para a recessão industrial é a demanda interna'', avalia. Para ele, maio foi um mês de transição para a indústria. Sua avaliação é que, após ''chegar ao fundo do poço'' em abril, o setor deverá permanecer estagnado até o final do terceiro trimestre, quando iniciará uma trajetória de recuperação, impulsionada pela redução dos juros e das taxas de inflação.
Os segmentos que puxaram a queda de maio ante igual mês de 2002 estão voltados principalmente para o mercado interno: vestuário e calçados (-16,2%), farmacêutico (-18,1%) e material elétrico e de comunicações (-13,4%).
Duráveis O fraco desempenho da produção do setor, sob efeito da retração doméstica, é revelado também nos dados da indústria acumulados no ano. A principal desaceleração ocorreu nos bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos etc.), que dependem basicamente do mercado doméstico e passaram de uma queda de -0,5% no primeiro trimestre para -4,9% no acumulado de janeiro a maio.
Os destaques de ampliação da queda na produção, ainda no acumulado do ano, ocorreram especialmente em segmentos voltados para o mercado interno como cimento (-8,8% no trimestre e -11,9% de janeiro até maio), medicamentos (-16,9% para -18,7%), artigos de material plástico (-10% para -14,3%), vestuário (-15,8% para -19,8%) e calçados (-2,5% para -7,2%).
Somente os bens intermediários, como aço, celulose, plástico e produtos petroquímicos, mais voltados à exportação, conseguiram manter o resultado positivo, apesar de também registrarem desaceleração, com resultado acumulado passando de 4,4% até março para 2,2% até maio.


