Produção industrial cai após três meses de alta
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terça-feira, 09 de dezembro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro - A produção industrial do País voltou a cair em outubro, após três meses consecutivos de crescimento na comparação com o mês anterior. O recuo de 0,5% ante setembro surpreendeu negativamente os analistas de mercado, que esperavam variação entre zero e 2%. No entanto, o coordenador de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, considera a queda pontual e afirma que ''não é um sinal de que tenha sido alterada a trajetória de recuperação do setor''.
O argumento de Sales é de que a retração esteve concentrada apenas em 3 dos 20 ramos pesquisados e ocorreu após um período de expansão industrial que resultou em aumento acumulado de 7,1% na produção de junho a setembro. Ele sublinhou também que todos os demais indicadores do setor em outubro foram positivos.
A queda da produção, considerada pelo mercado como mais um sinal claro de desaquecimento da economia, engrossou as apostas de corte de 1 ponto a 1,5 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic) na reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) da próxima semana.
Na comparação com outubro do ano passado, a produção da indústria cresceu 1,1%. No ano, até outubro, a taxa acumula variação zero e, em 12 meses, aumento de 0,8%. Mas o argumento fundamental de Sales é o índice de média móvel trimestral, o principal indicador de tendência, que revelou aumento de 1,8% na produção no trimestre encerrado em outubro em relação ao finalizado em setembro.
O analista da Tendências Consultoria, Juan Jensen, concorda com Sales que foram ''bons'' os resultados da indústria em outubro. ''A queda não é preocupante porque confirma que o patamar que a indústria alcançou em setembro não foi pontual e, mesmo que tenha sido 0,5% menor em outubro, se mantém elevado''. Em setembro, a produção industrial havia crescido 4,1% ante agosto.
Outro dado positivo citado por Jensen é o ''crescimento expressivo'' na produção de bens de capital (aumento de 3,8% ante setembro e 6,9% ante outubro do ano passado), que, segundo ele, revela a intenção de investimentos no setor. Apesar do otimismo em relação ao quarto trimestre deste ano, Jensen admite que a indústria não crescerá acima de 0,5% no acumulado de 2003.
O resultado negativo da produção em outubro esteve concentrado em três segmentos: química, alimentos e farmacêutico. No caso da química (-0,7%) e dos alimentos (-1,6%). Sales disse que as reduções são pontuais e ocorrem nos dois segmentos após três meses de crescimento, mantendo positivos os dados acumulados no ano para esses setores, que são os dois mais importantes da pesquisa industrial.
No caso da indústria farmacêutica (-4,4%), os sinais este ano têm sido predominantemente negativos. ''É um setor tipicamente voltado para o mercado interno, que está atrelado ao comportamento da massa salarial, que por sua vez está em queda'', disse Sales.


