Produção industrial cai 3,7% no Paraná em junho
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terça-feira, 07 de agosto de 2012
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A produção industrial do Paraná teve queda de -3,7% em junho em relação a maio. Em junho, comparado com o mesmo mês do ano passado, o Estado também teve queda de -7,5% na produção. Os dois percentuais são piores que a média nacional que ficou em 0,2% em junho contra maio e foi de -5,5% em junho na comparação com o mesmo mês de 2011.
No entanto, no ano, o Estado acumula alta na produção de 3,6% e nos últimos 12 meses terminados em junho, o crescimento verificado foi de 8%. Para o economista do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, um dos motivos que levou à queda na produção do Estado foi a quebra da safra agrícola. ''Isso afeta a produção de alimentos que é o gênero industrial mais importante do Paraná'', disse.
Ele lembrou ainda que nos meses de abril e maio foi elevada a produção de automóveis por conta da redução do IPI. Em junho, a produção teria caído porque a indústria já estaria sentindo o fim do prazo da redução do IPI que termina no final de agosto.
Apesar da queda na produção industrial do Paraná em junho, Zurcher destacou que o Estado foi um dos últimos do País a ser afetado graças à presença forte do agronegócio. ''A economia está parando, desacelerando'', afirmou. Para ele, o governo federal teria que investir em políticas de longo prazo. ''O governo quer que o PIB cresça 3,5% neste ano, mas isso não vai acontecer. Se o País quer crescer 5%, por exemplo, tem que investir 25% do PIB'', comentou.
O principal impacto negativo em junho para a indústria veio do setor de edição e impressão que teve queda de -29,6%. Zurcher explicou que este resultado da área de edição é sazonal e depende muito de pedidos feitos ao setor. Além disso, caiu a produção de veículos (-7,3%), alimentos (-5,9%) e outros produtos químicos (-25,7%). As áreas prejudicadas foram caminhão-trator, caminhões e chassis com motor para ônibus ou para caminhões, além de adubos e fertilizantes. Zurcher lembrou que o setor de caminhões não foi beneficiado pela redução do IPI.
Os setores com resultado positivo em junho foram mobiliário (11,5%) e celulose e papel (4,3%). Nos seis primeiros meses do ano, os impactos positivos vieram de edição e impressão (44,4%), madeira (18,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (5,8%). A queda de produção ocorreu nos setores de veículos automotores (-8,2%), pressionado pela menor fabricação de caminhões, caminhão-trator e chassis com motor para ônibus ou para caminhões.
Para Zurcher, a crise internacional e o endividamento da população brasileira também têm afetado muito o desempenho da indústria. Ele acredita que a tendência é diminuir a taxa de crescimento do setor industrial no Paraná dos atuais 3,6% no primeiro semestre. ''Até o final do ano, devemos ter um percentual menor que esse'', disse.
Ele lembrou que a seca que afetou a safra de milho, trigo, soja e laranja nos Estados Unidos e no Canadá pode, de alguma forma, favorecer o Brasil. Este fator pode aumentar os preços internacionais e incentivar a produção no Paraná. ''Se o clima colaborar no Estado, o plantio destas culturas traria melhoria da renda no campo e, por consequência das vendas no comércio. Mas, isso seria só no final do ano'', concluiu.



