Curitiba - A produção industrial do Paraná teve queda de -3,7% em junho em relação a maio. Em junho, comparado com o mesmo mês do ano passado, o Estado também teve queda de -7,5% na produção. Os dois percentuais são piores que a média nacional que ficou em 0,2% em junho contra maio e foi de -5,5% em junho na comparação com o mesmo mês de 2011.
No entanto, no ano, o Estado acumula alta na produção de 3,6% e nos últimos 12 meses terminados em junho, o crescimento verificado foi de 8%. Para o economista do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, um dos motivos que levou à queda na produção do Estado foi a quebra da safra agrícola. ''Isso afeta a produção de alimentos que é o gênero industrial mais importante do Paraná'', disse.
Ele lembrou ainda que nos meses de abril e maio foi elevada a produção de automóveis por conta da redução do IPI. Em junho, a produção teria caído porque a indústria já estaria sentindo o fim do prazo da redução do IPI que termina no final de agosto.
Apesar da queda na produção industrial do Paraná em junho, Zurcher destacou que o Estado foi um dos últimos do País a ser afetado graças à presença forte do agronegócio. ''A economia está parando, desacelerando'', afirmou. Para ele, o governo federal teria que investir em políticas de longo prazo. ''O governo quer que o PIB cresça 3,5% neste ano, mas isso não vai acontecer. Se o País quer crescer 5%, por exemplo, tem que investir 25% do PIB'', comentou.
O principal impacto negativo em junho para a indústria veio do setor de edição e impressão que teve queda de -29,6%. Zurcher explicou que este resultado da área de edição é sazonal e depende muito de pedidos feitos ao setor. Além disso, caiu a produção de veículos (-7,3%), alimentos (-5,9%) e outros produtos químicos (-25,7%). As áreas prejudicadas foram caminhão-trator, caminhões e chassis com motor para ônibus ou para caminhões, além de adubos e fertilizantes. Zurcher lembrou que o setor de caminhões não foi beneficiado pela redução do IPI.
Os setores com resultado positivo em junho foram mobiliário (11,5%) e celulose e papel (4,3%). Nos seis primeiros meses do ano, os impactos positivos vieram de edição e impressão (44,4%), madeira (18,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (5,8%). A queda de produção ocorreu nos setores de veículos automotores (-8,2%), pressionado pela menor fabricação de caminhões, caminhão-trator e chassis com motor para ônibus ou para caminhões.
Para Zurcher, a crise internacional e o endividamento da população brasileira também têm afetado muito o desempenho da indústria. Ele acredita que a tendência é diminuir a taxa de crescimento do setor industrial no Paraná dos atuais 3,6% no primeiro semestre. ''Até o final do ano, devemos ter um percentual menor que esse'', disse.
Ele lembrou que a seca que afetou a safra de milho, trigo, soja e laranja nos Estados Unidos e no Canadá pode, de alguma forma, favorecer o Brasil. Este fator pode aumentar os preços internacionais e incentivar a produção no Paraná. ''Se o clima colaborar no Estado, o plantio destas culturas traria melhoria da renda no campo e, por consequência das vendas no comércio. Mas, isso seria só no final do ano'', concluiu.

Imagem ilustrativa da imagem Produção industrial cai 3,7% no Paraná em junho
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