Produção industrial cai 3,2% e tem pior resultado desde 2009
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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
A indústria brasileira fechou o ano de 2014 com queda de 3,2% na produção, influenciada principalmente pelo resultado do setor automotivo que registrou redução de 16,8%. Esse resultado da indústria como um todo foi o pior desde 2009, quando o País sofria os efeitos do auge da crise global e o setor teve perdas na produção de 7,1%. O resultado do ano passado é também a primeira taxa negativa desde 2012. Em 2013, a indústria tinha registrado um avanço de 2,1%. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em dezembro, na comparação com novembro, a produção teve queda de -2,8%. Na comparação com dezembro de 2013, a redução foi de -2,7%. Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o resultado de 2014 é reflexo do modelo adotado pelo País nos últimos anos que provocava crescimento econômico através do consumo. "Tanto o aumento da massa salarial como do crédito se esgotaram. As pessoas estão endividadas. Com a inflação crescente diminui o poder de compra e, os mais afetados são os produtos de maior valor, como os veículos", explicou.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan Yabiku Junior, disse que os fatores que mais prejudicaram o desempenho do setor foram as restrições maiores na concessão de crédito, o ano marcado por muitos feriados em razão da Copa do Mundo e o cenário complexo no comércio exterior que afetou as exportações. Para 2015, é esperado um resultado, no mínimo, igual a 2014. No ano passado, o licenciamento de autoveículos apresentou retração de 7,1% no País.
A pesquisa também apontou queda de -5,9% no setor de máquinas e equipamentos, o que é considerado preocupante. Zurcher disse que esse segmento foi afetado porque as indústrias não estão comprando equipamentos para aumentar a produção. "Isso mostra o futuro, ou seja, não existe previsão de aumento de produção", alertou.
O IBGE mostrou ainda que houve redução no desempenho de 20 dos 26 ramos pesquisados em 2014. Entre os setores afetados estão metalurgia (-7,4%), produtos de metal (-9,8%), outros produtos químicos (-3,6%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,2%), produtos de borracha e de material plástico (-4%) e alimentos (-1,4%).
Zurcher disse que o consumo vem sendo tão afetado que as pessoas já começam a reduzir ou substituir produtos alimentícios. Ele explicou que alimentos entra na categoria classificada pelo IBGE como bens semiduráveis e não duráveis que teve queda de -0,3%, o que aponta que a crise se disseminou por toda a indústria. Nos bens duráveis a perda foi de -9,2% e, nos bens de capital (que envolve máquinas) de -9,6%.
O economista e professor da FAE Centro Universitário, Gilmar Mendes Lourenço, disse que o resultado do setor industrial demonstra a ausência de consistência na política econômica. "Isso fragilizou a indústria. O governo priorizou o consumo e os gastos públicos e ignorou que o setor industrial é o motor da economia", afirmou.
Ele disse que com o setor de bens de capital aparecendo como o mais afetado na pesquisa do IBGE, isso mostra que o "crescimento futuro da economia vai ser medíocre". Ele lembrou ainda que os projetos de infraestrutura estão paralisados no Brasil e que, em 2014, o País parou com a Copa do Mundo e as eleições. Isso tudo refletiu no desempenho da indústria. E alertou que, nos últimos dez anos, cerca de 80% dos empregos gerados no País foram em serviços, um setor que remunera mal. Segundo Lourenço, a indústria também foi afetada pela alta carga tributária e pelo câmbio valorizado. (Com agências )


