Em relação a setembro de 2015, houve retração de 4,8%
Em relação a setembro de 2015, houve retração de 4,8% | Foto: Lis Sayuri/27-05-2014



A produção industrial subiu 0,5% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam desde uma queda de 0,50% a expansão de 1,50%, com mediana positiva de 0,50%.
Em relação a setembro de 2015, a produção caiu 4,8%. Nesta comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de retração de 3,70% a 6,60%, com mediana negativa de 5,10%.
No ano, a produção da indústria acumula queda de 7,8%. Em 12 meses, o recuo é de 8,8%. No terceiro trimestre a produção industrial caiu 5,5% ante igual trimestre de 2015, dentro das previsões de queda de 5,40% a 5,90%, com mediana de 5,60%.
O IBGE revisou o dado da produção industrial do mês de agosto ante julho, de -3,8% para -3,5%. O resultado de julho ante junho também foi revisto, de 0,1% para -0,1%.
Os resultados da produção industrial reforçam a percepção - já apontada por outros indicadores de atividade - de que o cenário ainda é desafiador no curto prazo. Esta é a avaliação de analistas consultados pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. Embora a alta de 0,5% da indústria em setembro com relação a agosto seja considerada uma boa notícia, é insuficiente para compensar perdas anteriores, indicando uma recuperação tímida, que terá reflexos no Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre.
O principal destaque negativo do resultado de setembro ficou por conta da produção de bens de capital, que diminuiu 5,1% na margem. "Era o grupo da indústria que vinha apresentando melhores resultados", disse o economista Luiz Fernando Castelli, da GO Associados. "A queda (de bens de capital) reforça que a virada esperada da atividade no terceiro trimestre não aconteceu", afirmou o economista Daniel Gomes da Silva, do Modal Asset, acrescentando que os números colocam um viés de baixa nas expectativas para o PIB.
Ele acredita que os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), assim como os indicadores recentes de varejo, emprego e confiança mais desfavoráveis que o esperado, sinalizam um número pior para PIB do terceiro trimestre e, consequentemente, para os períodos à frente.
Por enquanto, o economista prevê recuo de 0,8% para o PIB entre julho e setembro, mas adianta que a projeção será revisada para baixo. "Além disso, o resultado é importante pois deve prejudicar as previsões para o PIB do quarto trimestre. Muitos estavam esperando sutil alta, mas pode ser que isso não se confirme", afirmou.
O economista-chefe da Quantitas Asset Management, Ivo Chermont, concorda que a produção industrial de setembro aponta para uma queda mais forte do PIB no terceiro trimestre. "Os dados de julho pareceram razoáveis, indicando que a atividade pudesse estar chagando no platô, mas os de agosto foram impressionantemente desastrosos. A produção industrial (de setembro) também veio fraca", disse.
Há três meses, Chermont estimava zero para o PIB do terceiro trimestre com relação ao do segundo trimestre. Agora, prevê queda de 0,7%. "Mas pode ser que até seja um recuo mais de 1%", sentencia.

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