Curitiba - Pelo quarto ano consecutivo, a indústria da construção civil de Curitiba fechará o ano de 2004 com redução no número de unidades construídas. De janeiro a outubro, foram construídos 2.013 imóveis na Capital, totalizando 421 mil metros quadrados, área 22% menor do que a produção imobiliária em 2003. Com esse desempenho, o resultado de 2004 corresponde a apenas um quarto do que foi construído em 2000, último ano de crescimento para o setor, quando foram construídos em Curitiba 1,6 milhão de metros quadrados.
A situação é ainda mais preocupante considerando que 59% dos imóveis construídos são destinados ao segmento não residencial, índice superior aos 34% em 2003. O aumento da construção no segmento comercial está concentrado em poucos empreendimentos realizados nos últimos dois anos, entre eles um grande shopping center, a ampliação do estacionamento de outro e a construção de um hipermercado.
''A construção civil é o espelho do País. Ela vai bem quando a classe média tem bom poder aquisitivo para investir em imóveis, quando sobra um dinheiro para o trabalhador, e ele pode comprar sua casa'', avalia o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Ramon Andres Doria, que ontem fez um balanço sobre o desempenho do setor este ano.
De acordo com ele, um dos principais problemas é a carga tributária. Estudo feito pelo Sinduscon-PR aponta que os impostos correspondem a 48,5% do preço de uma casa popular, com peso principalmente de encargos trabalhistas e CPMF. Nesse ponto, o presidente do Sinduscon-PR criticou a política econômica do Governo Federal, que concede isenção de impostos para exportação mas não beneficia setores como a construção civil que, historicamente, são responsáveis por grande número de empregos.
Doria criticou, ainda, a conivência dos profissionais da área, engenheiros civis e arquitetos, que praticam a informalidade, o que só vem prejudicar aqueles que trabalham de forma legal. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontam a existência de 81 mil trabalhadores formais e 64 mil informais no setor. Outro problema, segundo ele, são os preços dos insumos, cujos aumentos ficaram acima do índice de inflação, como o aço, por exemplo, que teve aumento de 36% nos primeiros dez meses do ano.
A expectativa para 2005, no entanto, é de melhoria. Um indicativo nesse sentido é o crescimento de pedidos de alvarás para novas construções. Entre janeiro e outubro a Prefeitura de Curitiba liberou alvarás para construção de 1,2 milhão de metros quadrados, volume 6% superior às liberações feitas no mesmo período de 2003.

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