Produção familiar reúne 14 países em Foz
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sexta-feira, 24 de abril de 1998
Edna Mendes 
Ney de SouzaSobrevivênciaMenezes: globalização impõe que se discuta conceitos Representantes de 14 países estão reunidos em Foz do Iguaçu , no Encontro Internacional - Sociedade, Democracia e Agricultura, para discutir experiências e buscar alternativas que viabilizem a agricultura familiar. O grupo também pretende analisar os impactos que a modernização está causando sobre as pequenas propriedades, além de definir a criação de uma rede internacional de apoio à agricultura familiar.
O evento, que é promovido pela Rede Agriculture Paysane et Modernization - Agricultura Camponesa e Modernização (APM), vai até o dia 30. Participam delegações do Brasil, Albânia, Camarões, França, China, Vietnã, Equador, Estados Unidos, Senegal, Uganda, Zimbabwe, Polônia, Uruguai e África do Sul.
Segundo o coordenador da Área de Segurança Alimentar do Ibase, Francisco Menezes, o processo de globalização fez com que as diversas redes de apoio à agricultura familiar descobrissem a necessidade de discutir este conceito em todo o mundo.
Os participantes também vão estabelecer ações conjuntas nas áreas de segurança alimentar, biodiversidade, biotecnologia e organização. As palestras e debates incluem ainda temas como integração regional, comércio mundial agrícola e segurança alimentar.
As delegações vão visitar cooperativas, órgãos de pesquisa, propriedades e vilas rurais. O evento tem apoio do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Este é o segundo encontro internacional a debater a agricultura familiar. O primeiro foi realizado em 1996, em Camarões, na África. A escolha para a realização do encontro no Paraná se deve à diversidade das experiências desenvolvidas na região Oeste do Estado. A região é responsável por 13% da produção de grãos do País e apontada como exemplo de prosperidade, embora apresente alto índice de êxodo rural.
Francisco Menezes também ressaltou que as redes não são contrárias à globalização. Somos contra apenas a globalização que cuida somente do comércio, não colocando a agricultura que é essencial, acima de tudo, explicou.
De acordo com Menezes, as redes também defendem que o fortalecimento da agricultura familiar seja passível de receber determinados subsídios para sair da crise através da criação de um fundo de aval. É necessário construir um sistema de medidas de segurança para que a agricultura possa produzir. Porque sem isso não há como progredir, avaliou.
As delegações seguem na quinta-feira para o Rio de Janeiro onde participam do seminário internacional Reforma Agrária e Democracia que acontece de 4 a 7 de maio.


