Ney de SouzaSobrevivênciaMenezes: globalização impõe que se discuta conceitos Representantes de 14 países estão reunidos em Foz do Iguaçu , no ‘‘Encontro Internacional - Sociedade, Democracia e Agricultura’’, para discutir experiências e buscar alternativas que viabilizem a agricultura familiar. O grupo também pretende analisar os impactos que a modernização está causando sobre as pequenas propriedades, além de definir a criação de uma rede internacional de apoio à agricultura familiar.
O evento, que é promovido pela Rede Agriculture Paysane et Modernization - Agricultura Camponesa e Modernização (APM), vai até o dia 30. Participam delegações do Brasil, Albânia, Camarões, França, China, Vietnã, Equador, Estados Unidos, Senegal, Uganda, Zimbabwe, Polônia, Uruguai e África do Sul.
Segundo o coordenador da Área de Segurança Alimentar do Ibase, Francisco Menezes, o processo de globalização fez com que as diversas redes de apoio à agricultura familiar descobrissem a necessidade de discutir este conceito em todo o mundo.
Os participantes também vão estabelecer ações conjuntas nas áreas de segurança alimentar, biodiversidade, biotecnologia e organização. As palestras e debates incluem ainda temas como integração regional, comércio mundial agrícola e segurança alimentar.
As delegações vão visitar cooperativas, órgãos de pesquisa, propriedades e vilas rurais. O evento tem apoio do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Este é o segundo encontro internacional a debater a agricultura familiar. O primeiro foi realizado em 1996, em Camarões, na África. A escolha para a realização do encontro no Paraná se deve à diversidade das experiências desenvolvidas na região Oeste do Estado. A região é responsável por 13% da produção de grãos do País e apontada como exemplo de prosperidade, embora apresente alto índice de êxodo rural.
Francisco Menezes também ressaltou que as redes não são contrárias à globalização. ‘‘Somos contra apenas a globalização que cuida somente do comércio, não colocando a agricultura que é essencial, acima de tudo’’, explicou.
De acordo com Menezes, as redes também defendem que o fortalecimento da agricultura familiar seja passível de receber determinados subsídios para sair da crise através da criação de um fundo de aval. ‘‘É necessário construir um sistema de medidas de segurança para que a agricultura possa produzir. Porque sem isso não há como progredir’’, avaliou.
As delegações seguem na quinta-feira para o Rio de Janeiro onde participam do seminário internacional ‘‘Reforma Agrária e Democracia’’ que acontece de 4 a 7 de maio.

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