Produção em escala desafia pequenos produtores de soja
A viabilidade da produção de grãos nas pequenas propriedades do Paraná foi analisada terça-feira durante o Seminário Um Cenário para a Soja, promovido pela Embrapa Soja. O extensionista da Emater-Pr/Embrapa Soja, Fernando Adegas, apresentou dados sobre a realidade da produção e comercialização, mostrando que, apesar das dificuldades, a produção de soja pode ser rentável para os pequenos.
O Paraná cultiva aproximadamente 4,5 milhões de hectares de grãos. Cerca de 150 mil propriedades que produzem grãos têm menos de 30 ha e mais de 85% das propriedades que produzem soja têm menos de 100 ha.
Segundo ele, a restrição de crédito, os equipamentos antigos e a falta de informação resultam em problemas como o aumento dos custos de produção e o não incremento da produtividade, provocando menor rendimento por área.
Atualmente, a retomada do desenvolvimento rural, na opinião do extensionista, só será possível com a mudança do modelo produtivo. É preciso gerenciar as informações, regularizar os custos, aumentar a produtividade e buscar nichos de mercado que diferenciem o produto final, avalia.
Há quatro anos a Embrapa Soja e a Emater estão treinando e capacitando o produtor, através do Projeto Grãos e do sistema de transferência de tecnologia denominado Treino e Visita, onde são assistidos mais de 2 mil produtores rurais numa área superior a 80 mil hectares. Sempre orientamos o produtor a fazer planilhas de custo para avaliar os gargalos e planejar melhor onde se quer chegar, diz.
Muitos produtores também buscam maior organização junto a Rede de Referência para Agricultura Familiar, projeto conjunto da Emater e Iapar para transferência de tecnologia. Segundo o extensionista da Emater Sérgio Carneiro, 70% da renda das propriedades vinculadas à Rede é obtida da soja, do milho e do trigo e a renda complementar vem do plantio de café e frutas e da criação de frango. As atividades complementares, no entanto, colaboram muito para melhorar o sistema de produção e aumentar a rentabilidade.
Produtor americano O que faz a diferença entre brasileiros e americanos? Durante o Seminário, o produtor rural Ricardo Araújo traçou um paralelo entre o comportamento do produtor rural americano e do brasileiro, baseando-se em recente visita aos EUA. Na percepção de Araújo, os americanos são mais profissionais, no sentido de estarem empenhados na melhoria do sistema produtivo. A busca por informação, por exemplo, capacita o produtor a tornar-se eficiente. Outros diferenciais são o comprometimento e a auto-suficiência no manejo das tarefas.
Com pouca gente e pouca máquina eles conseguem cuidar de grandes áreas de terra. Conheci três pessoas que dirigem uma propriedade de 1.000 hectares. Sozinhos, eles plantam, colhem e realizam serviços de manutenção de máquinas, reparos elétricos, hidráulicos, além de gerenciar a propriedade, conta.
Araújo diz que apesar do alto nível de profissionalismo, o produtor americano teme a competitividade do brasileiro, principalmente devido ao perfil dos agricultores do Centro-Oeste, que são produtores muito mais empenhados e envolvidos que os produtores do Sul do País.
Se o produtor brasileiro passar a gerenciar os fatores de produção, o aumento da rentabilidade será certo. O Brasil é competitivo, o que não temos é eficiência gerencial no sistema de produção. É a qualidade do nosso produtor que nos coloca atrás do americano.





