Produção em escala agrava êxodo rural
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Vânia Casado 
Curitiba
Marcelo AlmeidaBianchini: leite
vai passar pelo
mesmo processo
da suinoculturaO Paraná lidera o processo de êxodo rural na região Sul. O deslocamento da população do campo em direção às cidades que ficou tão evidente na década de 80, quando 900.000 pessoas abandonaram o campo, continua no final dos anos 90. Segundo levantamento do IBGE, no período de 1992 a 1995 houve uma redução de 11,7% na população da área rural do estado, com a saída de 251.000 pessoas. No mesmo período, o êxodo rural no estado de Santa Catarina foi de 1,5% e no Rio Grande do Sul, 6,7%.
O agrônomo Valter Bianchini, do Deser, atribuiu o agravamento desse processo à falta de uma política agrícola de médio em longo prazo que desestruturou atividades que mantinham economicamente as famílias de pequenos produtores no campo como a cultura do algodão, do café e também a suinocultura. A falta de apoio do governo federal e a necessidade de inserção da agricultura na economia globalizada contribuiram para acelerar esse processo. O resultado da perda de postos de trabalho no campo obrigou o produtor a buscar novas alternativas para complementar a renda familiar, surgindo o perfil de um novo rural.
Segundo Bianchini, as famílias que sobreviviam com o rendimento de 5 ha de algodão, hoje não têm mais a cultura como sua principal fonte de renda. Para complementar a renda, os membros da família recorreram à profissões no meio urbano. Enquanto uma parte da família continuou se dedicando à agricultura, outra parte se dedicou à serviços complementares à renda do campo. O próximo setor a passar por esse processo são as famílias que sobrevivem da atividade leiteira, prevê. Isso porque as famílias que não tiverem condições de aderir à tecnologia necessária para competir com escala de produção ou que não conseguirem mais renda suficiente para sustentar seus dependentes, terão que buscar complemento em outros setores.
Exclusão Segundo Bianchini o processo de exclusão que está sendo previsto para o setor leiteiro já aconteceu com a suinocultura, quando 15 anos atrás, 80.000 produtores eram responsáveis por 80% da produção colocada no mercado. Hoje, a produção aumentou e o setor concentra cerca de 20.000 produtores. A necessidade de escala de produção e o incremento à tecnologia provocou essa exclusão, explicou.
Os produtores excluídos estão recorrendo a ocupações no meio urbano para complementar a renda, evidenciando que a agricultura não é mais a única atividade no espaço rural, principalmente do pequeno produtor. O risco que se corre com esse processo é o envelhecimento da população no meio rural, sem que haja uma renovação já que os jovens mebros das famílias rurais estão se deslocando em busca de oportunidades de emprego, alertou Bianchini.
Para evitar isso o Deser chama a atenção dos governos federal e estadual para que se dê prioridade ao incremento da agricultura familiar,privilegiaando as famílias que ainda se mantém no campo. Valter Bianchini antecipou que os sindicatos de trabalhadores rurais ligados à CUT e à Fetaep pretendem interferir na distribuição de recursos do programa Paraná 12 meses.
Bianchini destacou que as famílias de produtores podem ser incorporadas a projetos regionais de desenvolvimento, para driblar suas deficiências em tecnologia.


