São Paulo - A indústria automobilística encerrou o mês de setembro com uma queda na produção, nas exportações e nas vendas de veículos em relação a agosto. As vendas, que tinham chegado a aumentar 9,3% no mês de agosto, apresentaram um recuo de 4,8% em setembro. Até a produção recuou 5,6% e somou 205,7 mil veículos no mês passado.
Já as exportações de veículos e de máquinas agrícolas, que chegaram a bater a marca histórica de US$ 1,08 bilhão no mês de agosto, apresentaram uma retração de 4,1% em setembro e ficaram em US$ 1,04 bilhão. Mesmo com as quedas, tanto a produção como as exportações tiveram os melhores resultados da história para os meses de setembro, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
No acumulado de janeiro a setembro, houve um aumento de 9,8% no volume de carros comercializados frente a igual período do ano passado. Nesse período, foram exportados US$ 8,33 bilhões em veículos, um aumento de 38,7% na mesma base de comparação. No ano, foram produzidos 1,83 milhão de veículos, o que representa um incremento de 12,6% sobre o mesmo período de 2004.
Competitividade - O presidente da Anfavea Rogelio Golfarb afirma que o setor tem sofrido com o dólar barato e com os altos custos das matérias-primas, que põem em xeque a manutenção dos bons resultados obtidos nas exportações neste ano. ''Nossas vantagens competitivas estão diminuindo rapidamente. Se isso não se reflete nos números agora, aponta problemas que vamos ter no futuro'', afirma o executivo.
Golfarb criticou a proposta do Ministério da Fazenda de redução da tarifa consolidada de importação para bens industriais de 35% para 10,5% que está sendo estudada pelo governo na Rodada de Doha, negociação, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), para a liberalização do comércio mundial. ''É preciso olhar para a perda de competitividade que estamos tendo. Se não, vamos observar o que acontece com alguns setores que estão pedindo salvaguardas'', afirmou.
Por outro lado, Golfarb elogiou a criação de uma linha de financiamento especial pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financiará até 30% da produção de veículos destinada à exportação. ''Não é uma vantagem suficiente para sustentar as exportações, mas é uma ajuda'', disse.
Bicombustíveis - A venda de carros bicombustíveis ultrapassou pela primeira vez a de veículos movidos a gasolina no acumulado do ano. Até setembro, as vendas de veículos que podem ser abastecidos tanto com gasolina quanto com álcool foram de 563 mil unidades, contra 544 mil carros a gasolina vendidos. Os bicombustíveis também superam levemente os carros movidos a gasolina em termos de participação de mercado. A comercialização deles chegou a 47,5%, ao passo que os veículos movidos a gasolina ficaram com 46%.

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