RIO - A produção industrial brasileira caiu 2,1% em março, em relação a fevereiro, já descontados os fatores que sazonalmente influenciam a atividade, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A indústria chegou, com este resultado, ao seu nível de produção mais baixo desde julho do ano passado. Em relação a março do ano passado houve aumento de 4,3%, e no primeiro trimestre, em confronto com o mesmo período de 96, de 4,6%. Apesar destas variações positivas, já há sinais de desaceleração no ritmo de crescimento do setor, notadamente no caso de bens duráveis, com ênfase em eletrodomésticos.
O chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales, disse que a atividade industrial do segmento de material elétrico e de comunicações - que é o ligado mais fortemente aos eletrodomésticos - teve uma queda de 7,3% em relação a fevereiro. No entender dele, aparentemente o chamado freio natural ao consumo, causado pelo esgotamento da capacidade de endividamento das pessoas, está funcionando. Ele acha que diante disso são desnecessárias medidas de restrições ao consumo mais fortes que as já tomadas pelo governo.
Como frisou, a produção de bens duráveis, onde se incluem os eletrodomésticos, cresceu somente 0,5% no primeiro trimestre, em relação à média do segundo semestre do ano passado, o que evidencia uma perda de dinamismo de uma área da indústria que vinha crescendo explosivamente. Como exemplo, cita a produção de videocassetes, que em quatro anos acumulou expansão de 196,4%. No primeiro trimestre, este mesmo bem teve sua produção elevada em 57,7% em confronto com igual período do ano anterior.
A indústria como um todo, após mostrar expansão de 8% no terceiro trimestre do ano passado, e de 7,5% no último trimestre do mesmo ano, nos primeiros três meses de 1996 elevou a atividade em somente 4,6%. Quando se compara o primeiro trimestre com a média do segundo semestre do ano passado, observa-se, segundo Sales, que ocorreu uma queda de 1,8% na produção industrial total. Por categorias de uso, houve um recuo de 3,9% na produção de bens capital no primeiro trimestre de 1997, em relação à média do segundo semestre do ano passado. No caso de bens de consumo não-duráveis, a retração chegou a 4,2%, na mesma base de comparação. Para os bens intermediários, o recuo foi de 1%.
As comparações em relação a iguais meses do ano passado
continuarão sendo positivas até junho, disse Silvio Sales, já que na primeira metade de 1996 a indústria ainda sofria os efeitos das medidas anticonsumo tomadas em 1995. De julho em diante, destacou, a indústria começou a se recuperar e assim dificilmente o segundo semestre de 1997 conseguirá suplantar a produção então verificada.

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