Produção do trigo deve cair quase 50%
Brasília - A produção do trigo na próxima safra deve ser quase 50% menor do que a colhida na safra 2005/2006. De acordo com os dados do primeiro levantamento de intenção de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre a safra 2006/2007, divulgados ontem, em Brasília, deve haver uma queda de 2,4 milhões de toneladas, causada pela redução de 25,9% na área plantada e de 32,4% na produtividade do grão.
Segundo a Conab, a queda na safra do trigo também deve ocorrer devido à estiagem no início do ciclo da planta no Paraná, às temperaturas reduzidas no Paraná e no Rio Grande do Sul e a estiagem em São Paulo e Mato Grosso do Sul.
O ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, atribui essa queda na valorização do real frente ao dólar na última safra que ocasionou perdas para o produtor e desestimulou o plantio para a próxima safra.
''Os preços (na safra passada) estiveram muito baixos. Isso fez com que o nosso produtor tomasse a iniciativa de reduzir a área. Além da redução da área, tivemos condições naturais muito negativas, grande estiagem ao longo do plantio e geada'', explicou o ministro. ''Esse conjunto de fatores levará a uma queda substancial da produção e uma importação'', completou.
Apesar da necessidade de importar trigo, Guedes enfatizou que a medida não deve elevar o preço do pãozinho. ''Vamos importar com tranquilidade. Os preços do trigo no mercado mundial não estão elevados, aliás o preço do mercado interno é formado com base nos preços do mercado mundial. Então, não há nenhum problema em importarmos o trigo'', explicou.
O ministro lembrou ainda que ''a dependência brasileira pelo trigo importado é histórica'', porque é um dos poucos produtos em larga escala em que o Brasil não tem vantagem competitiva em relação a outros países produtores, como Argentina e Canadá.
Apoio - O ministro contou que o ministério pediu à área econômica do governo a alocação de R$ 2,6 bilhões para as políticas de apoio à comercialização de grãos em 2007. Neste ano, os gastos previstos para esse fim somam R$ 2,45 bilhões. Só em 2006, lembrou ele, o governo permitiu a prorrogação de R$ 20 bilhões em dívidas. (Das agências)





