Produção do Estado vai atingir 500 toneladas
A produção de feijão orgânico teve impulso nas últimas três safras nas regiões Sul e Centro-Sul do Estado, em áreas de pequenas propriedades. Na safra passada, eram 80 produtores (320 t). Para a safra 2000/2001, a produção estimada é de 500 t e o número de produtores sobe para 120, informou Iniberto Hammerschimidt, coordenador estadual de Agricultura Orgânica da Emater. Parte dessa produção será destinada à exportação.
No ano passado, agricultores de Prudentópolis exportaram a produção para a Ucrânia. Neste ano, já estão sendo negociados contratos de exportação para Alemanha, Japão e Estados Unidos.
Segundo Hammerschimidt, a vantagem para o produtor é que ele pode ganhar entre 30% e 50% acima da cotação do feijão convencional e a produtividade alcançada já é igual ou superior. Na última safra, a produtividade do feijão orgânico atingiu 1.400 kg/ha, enquanto a média do feijão convencional no Paraná variou entre 800 kg/ha.
De acordo com Hammerschimidt, a Emater, empresa vinculada à Secretaria da Agricultura, vem dando assistência técnica à produção de alimentos orgânicos desde 1982, sendo que nos últimos anos esse apoio se fortaleceu no segmento de hortaliças. Nos últimos quatros anos, a empresa vem prestando assistência para o estímulo à produção de grandes culturas no sistema orgânico, entre elas o feijão. A empresa tem cerca de 100 técnicos treinados nessa área.
O interesse do governo por esse nicho de mercado se explica: o ritmo de crescimento do consumo varia entre 30% e 50% ao ano. Na última safra, foram produzidas no Paraná 49.788 t de produtos orgânicos e, neste ano, deverão ser produzidos 70 mil t um crescimento de 40%.
Hammerschimidt explica que os produtores recebem assistência técnica para fazer a conversão do plantio convencional para o orgânico, desde a correção do solo com calcário e o uso intensivo de matéria orgânica no solo, como adubação verde e composto orgânico. Também é recomendável o uso de fosfato de rocha como adubo e um inoculante para fixação do nitrogênio. A semente de feijão, por exemplo, deve ser tratada com produto biológico como trigoderma, um fungo que previne o aparecimento de doenças do solo.
Essa conversão pode demorar de um a quatro anos e é recomendável que ela ocorra em partes da propriedade. Segundo o técnico, a maior parte são pequenos produtores e não têm condições econômicas de fazer a conversão de uma só vez. (V.C.)
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