Produção de vestuário sobe 5% e anima setor
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domingo, 24 de março de 2013
Fábio Galiotto <br> <br> Reportagem Local 
O setor de vestuário do Brasil começou o ano mais otimista em relação ao resultado de 2013, com o aumento na produção de 5,33% em janeiro sobre o mesmo período de 2012, segundo relatório mensal da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). Depois de um fim de 2011 em queda e de cambalear no ano passado, o segmento começa a dar mostras de que deve reagir neste ano com o esperado aumento de consumo e a desoneração da folha de pagamento. Porém, a fabricação têxtil ainda convive com a dúvida de que pode competir com as importações, principalmente chinesas, e teve queda de 2,83% na comparação entre os mesmos períodos.
No mercado paranaense, os números da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) apontam para cenário de crescimento semelhante. Com diferenças de metodologia em relação aos números da Abit, a entidade aponta crescimento nas vendas industriais de 79,33% no vestuário e queda de 1,75% no têxtil. A diferença exagerada na fabricação de roupas, entretanto, deve-se ao fato de grande parte dos empresários ter apelado para as férias coletivas em janeiro de 2012, quando a demanda sofria os impactos da queda do mercado no fim de 2011. Mesmo assim, o economista Roberto Zurcher, da Fiep, diz que os dois setores mostram fôlego no início deste ano, o que cria boas expectativas para 2013.
Ele conta que um mês é pouco tempo para definir se ocorrerá crescimento, mas que o pique do setor no Paraná é maior neste ano. ''As confecções empregam muito e, quando se tem a desoneração da folha de pagamento, o produto final se torna mais competitivo'', diz. Ele faz a ressalva de que o setor têxtil, por depender mais de maquinário, não reage da mesma forma. ''Nesse caso, o custo da mão de obra varia de empresa para empresa e algumas acabam prejudicadas por essa medida'', afirma, em relação à substituição da cobrança de tributos sobre a folha de pagamento pela arrecadação sobre lucro presumido.
A presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário (Sindivest) de Curitiba, Luciana Bechara, pensa diferente. Ela diz que a desoneração da folha será sentida apenas na análise de lucros do primeiro semestre, mas que acredita que é uma medida que ajuda mais os grandes fabricantes. Luciana explica que 85% dos empresários paranaenses do setor são micro ou pequenos empresários e que não devem ser beneficiados. ''Nossa carga tributária gira em torno de 40% e deveria cair para 20%, mesmo que a desoneração fosse para apenas um elo da cadeia. Assim, seria possível ver diferença no preço da gôndola'', diz.
Para a presidente do Sindivest, a justificativa para a retomada das vendas é que o varejo segurou a reposição de estoques em 2012, o que teve de ser feito nos últimos meses, depois de um ano com vendas ruins e consumidores endividados. ''O apetite do consumidor voltou, porque estava com dívidas no segundo semestre'', conta. Recuperação sentida também por outros empresários do setor com quem Luciana afirma ter conversado. ''Eles dizem que as vendas de dezembro, janeiro e fevereiro estão melhores para roupas da coleção de inverno.''
Assim como Luciana, o economista da Fiep diz que o momento de otimismo não apaga a necessidade de se mexer no câmbio e na tributação. Ele diz que os empresários tentam reverter a perda de competitividade no mercado internacional com investimento em tecnologia, mas que o setor têxtil já enfrenta problemas há três anos. ''O governo sinaliza com medidas de incentivo, mas muito lentamente'', afirma Zurcher.


