Produção de veículos deve cair 15%
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de julho de 1998
Agência Folha 
A indústria automobilística brasileira vai produzir neste ano 15% menos veículos do que no ano passado. A previsão é da Anfavea, associação das montadoras. As metas foram revistas para baixo por causa da queda das vendas e dos elevados estoques nos pátios das fábricas e nas concessionárias. A meta dos 2 milhões este ano foi por água abaixo, diz José Carlos Pinheiro Neto, presidente da entidade. Mantida a temperatura atual, diz ele, a produção vai ficar em 1,75 milhão de unidades, abaixo até do resultado de 96 (1,8 milhão).
As vendas de carros no varejo (da concessionária para o consumidor final) despencaram em junho na comparação com maio: a queda foi de 13%. A situação é dramática, diz Pinheiro Neto. Os novos cálculos levaram em conta também o desempenho da indústria no primeiro semestre em comparação com o mesmo período de 97: a produção caiu 14,7%, e a venda de veículos no atacado (da fábrica para a concessionária) foi 17,1% menor.
Até o mês passado, a Anfavea acreditava que poderia repetir a produção de 97, por causa das exportações, que cresceram 17,8% no primeiro semestre e renderam às empresas US$ 2,67 bilhões. Mas as vendas caíram mais do que o esperado, que ficava na faixa de 8% a 10%. As exportações não vão conseguir compensar o rombo do mercado interno , diz Pinheiro Neto.
A redução do ritmo de produção já começou. A Ford paralisou as linhas de montagem no dia 2 e só volta ao trabalho no dia 13. A Fiat concede férias coletivas a partir de quarta-feira e retorna no dia 20. A Volkswagen desistiu de produzir carros em dois sábados, dias 18 e 25, para compensar folgas dadas durante os jogos da Copa do Mundo.
Não descartamos novas paralisações de produção, afirma Pinheiro Neto. Ele diz que as fábricas ainda não falam em demissões, mas deixa claro: Ninguém vai produzir carro para deixar na prateleira.
A indústria diz que não há mais espaço para novas campanhas promocionais nem para a manutenção de juros subsidiados - de até 0,5% ao mês - por muito mais tempo. Para Pinheiro Neto, a única saída é a redução dos impostos.


