Produção de veículos cresce 5%
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segunda-feira, 06 de setembro de 2004
Renata Stuani<br> Agência Estado 
São Paulo - A indústria automotiva bateu em agosto novos recordes de produção e exportação. Já as vendas para o mercado interno se mostraram mornas. Segundo números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgados ontem, a produção de veículos em agosto atingiu 198,1 mil unidades e foi 5% maior do que em julho. Foi um recorde histórico mensal, superando o recorde anterior, de maio de 2001 (198 mil unidades).
No acumulado do ano, de janeiro a agosto, a indústria atingiu sua melhor marca histórica no período, com 1,424 milhão de unidades produzidas, superando o recorde anterior, de janeiro a agosto de 1997. As exportações de veículos e máquinas agrícolas em agosto somaram US$ 773,3 milhões e foram as maiores já registradas pelo setor (o recorde anterior era de julho passado).
No acumulado dos oito meses, as exportações chegaram a US$ 5,14 bilhões e foram 55% maiores do que no mesmo período em 2003 (o recorde anterior). De acordo com a Anfavea, as exportações são o principal motivo para o excelente desempenho na produção. A perspectiva é de que este ano a indústria supere 1997, o seu melhor ano até agora, e atinja pela primeira vez 2,1 milhões de veículos fabricados.
O cenário é diferente para as vendas no mercado interno. Os licenciamentos de veículos em agosto somaram 130,5 mil unidades e foram 2,5% menores do que em julho. O presidente da Anfavea, Rogelio Golfarb, atribuiu esse desempenho à greve dos cegonheiros, que dificultou a entrega de automóveis às concessionárias no mês passado.
No acumulado do ano até agosto, o resultado é positivo: foram licenciados 987 mil veículos, 14,3% a mais do que em igual em período de 2003. Golfarb afirma que a queda de vendas em agosto traz um desafio para o setor: tentar chegar ao fim do ano com 1,55 milhão de veículos vendidos no mercado interno. Para isso, as empresas terão de comercializar 138 mil unidades por mês nos próximos quatro meses, uma média considerada alta.
''O ritmo caiu em agosto por causa da greve e isso prejudicou o resultado do ano; será um desafio para as empresas chegar ao objetivo'', disse Golfarb. Ele acrescentou que a Anfavea mantém a previsão de licenciamentos para o mercado interno (1,55 milhão de unidades), prevendo aumento de 7,8% em relação a 2003. ''Esta já é uma projeção baixa, porque 2003 foi um ano muito ruim para as vendas internas'', declarou o dirigente da Anfavea, acrescentando que o mercado interno continua ''imprevisível''.
Golfarb espera também que o Banco Central não volte a aumentar os juros para conter a inflação, como já sinalizou. Segundo ele, os juros são ''um remédio'' para a inflação, mas a alta das taxas prejudicará os negócios, já que 70% dos veículos vendidos no País são financiados.


