As exportações recuaram 4,3% em relação a maio
As exportações recuaram 4,3% em relação a maio | Foto: Sérgio Ranalli/01-07-17

Os 233,1 mil veículos produzidos no Brasil em junho representam uma queda de 9,0% na comparação com o mesmo mês do ano passado, puxado pelo recuo das exportações, principalmente à Argentina. Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que divulgou o relatório semestral na quinta-feira (4), a crise no país vizinho e principal destino dos automóveis brasileiros prejudicou os resultados das montadoras nacionais.

No acumulado de janeiro a junho, foram 221,9 mil unidades exportadas no geral, queda de 41,5% sobre o primeiro semestre do ano passado. Somente em junho foram 40,3 mil veículos embarcados, baixa de 37,9% na comparação com igual mês de 2018.

Em relação a maio, a produção também foi 15,5% menor. Já as exportações recuaram 4,3% sobre o mês imediatamente anterior.

Por outro lado, o mercado interno vem em crescimento e deu um alívio à indústria. A venda de automóveis novos dentro do País foi de 1,17 milhão no primeiro semestre, alta de 12,1% sobre o mesmo período de 2018. No mês houve aumento de 10,5% sobre junho do ano passado.

O volume de produção que considera automóveis, comerciais, caminhões e ônibus ficou em 1,474 milhão, crescimento de 2,8% em relação à primeira metade do ano passado. Mesmo assim, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, manteve a projeção de aumento de 9,0% para a produção até o fim deste ano, com um total de 3,14 milhões de unidades.

Para Moraes, o mercado interno deve minimizar perdas nas exportações. “O primeiro semestre acabou, mas ainda temos o segundo tempo, que pode fazer com que o mercado interno termine o ano crescendo mais do que os 11% inicialmente projetados e podem compensar as 140 mil unidades que estamos perdendo na exportação. Tudo isso, no entanto, depende do Congresso”, disse, ao citar a necessidade de aprovação da reforma da Previdência para dar confiança a agentes econômicos.

Caso se confirme a estimativa da entidade para as exportações, o recuo sobre 2018 será de 28,5% no mercado internacional, de 590 mil para 450 mil unidades.

NO PARANÁ

O consultor econômico da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Marcos Rambalducci, afirma que o peso das vendas para a Argentina são maiores para o Paraná, que é um corredor de escoamento de veículos para lá. “Por isso, muitas indústrias escolheram a Região Metropolitana de Curitiba para se instalar estrategicamente.”

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) fornecidos pela Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) mostram que a produção de veículos no Estado cresceu 15,6% de janeiro a abril deste ano, ante o mesmo período de 2018. “Esse é um dos principais segmentos que têm puxado o crescimento da economia industrial paranaense neste ano, muito em função da recuperação da demanda para atender o mercado interno”, avalia o economista da Fiep, Evânio Felippe.

Porém, ele confirma a derrubada nas vendas para a Argentina, principal destino das exportações paranaenses no segmento. “De janeiro a maio deste ano, as vendas de automóveis para o país vizinho acumulam queda de 48,1%. As condições econômicas da Argentina têm justificado uma redução muito grande nas vendas do Paraná”, diz. Ele completa que, em contrapartida, houve aumento de exportações para Colômbia e México. Um exemplo foi a renovação da frota da Transmilênio, de Bogotá, pela fábrica paranaense da Volvo.

O problema é que, apesar de colombianos e mexicanos completarem o pódio de clientes das fábricas do Estado, o volume é bem menos representativos do que o direcionado aos argentinos. Por isso e também por não confiar em uma recuperação tão grande no consumo interno, Rambalducci é cauteloso sobre a expectativa para o setor nos próximos meses. “Não dá para apostar porque nossos juros continuam elevados e as pessoas compram carros quando têm uma sinalização de que estão seguros no emprego, o que não acontece hoje”, afirma o consultor da Acil.

Imagem ilustrativa da imagem Produção de veículos cai em junho puxada por crise argentina

'Acordo com UE vai influenciar investimento de montadoras agora'

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Carlos Moraes, acredita que o acordo entre Mercosul e UE (União Europeia), embora só entre em vigor daqui a dois ou três anos e conte com um período de 15 anos de transição até chegar ao livre comércio, comece a influenciar hoje os aportes na indústria. “Quando as montadoras planejam seus investimentos, levam em consideração ciclos de oito, dez anos. Então, com esse novo cenário, incluindo o acordo, as empresas vão decidir onde e como alocar seus acordos. Sendo assim, o acordo já começa a influenciar agora”, disse.

Ele afirmou que é preciso evoluir para também poder vender veículos para o velho continente. “Estamos considerando a hipótese firme de também exportar [para a União Europeia], mas para isso temos de atacar a competitividade, a corrida contra o tempo começou. Antes falávamos em competitividade, mas não tinha data, agora tem.”

A Anfavea divulgou como ocorrerá a redução das alíquotas de importação no acordo. Nos primeiros sete anos de vigência, a alíquota permanece de 35% Uma cota anual de 50 mil veículos poderá usar uma taxa de 17,5%, dos quais 32 mil para o Brasil.

No oitavo ano, a taxa para veículos que ultrapassarem a cota cairá de 35% para 28,4%. No nono , será reduzida para 21,7%. A partir do 10º ano, a alíquota passará a 15% e será eliminada porque já será já inferior à taxa da cota, de 17,5%. A partir do 11º ano, a alíquota será reduzida em 2,5 pontos porcentuais a cada 12 meses, até zerar no 16º. (André Ítalo Rocha/Agência Estado)

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