Produção de veículos bate recorde no PR
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terça-feira, 22 de maio de 2001
Rosana Félix De Curitiba 
A produção de veículos e máquinas agrícolas das montadoras instaladas no Paraná cresceu 79% no primeiro trimestre de 2001, em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo 42.295 unidades. Os números foram divulgados ontem pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. A direção da instituição se disse apreensiva porque, mesmo com o aumento de produção, ocorreram 196 demissões no trimestre.
De acordo com o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, o crescimento da produção ocorreu por causa de três fatores. Um deles é o aumento, já esperado, de unidades feitas pela Renault e pela Volkswagen/Audi, que ainda não ocuparam toda a planta das fábricas. As outras razões, de acordo com Cordeiro, são a resposta das montadoras para atender a demanda do mercado nacional de veículos, e os incentivos federais concedidos para a troca da frota agrícola, ocasionando impulsão da fabricação neste setor.
A produção paranaense do primeiro trimestre, que foi de 39.816 automóveis e 2.479 máquinas agrícolas, correspondeu a 9,16% da fabricação brasileira, de um total de 461.674 unidades. A expectativa do sindicato é que o Estado feche 2001 com uma participação nacional de 12%.
As exportações representaram 36% da produção paranaense no período. A maior responsável por isso foi a montadora Volkswagen/Audi, que vendeu para o mercado externo, principalmente para o México e Estados Unidos, 57,80% do que fabricou. De acordo com o diretor de Formação Profissional do Sindicato, Clementino Tomaz Vieira, as outras empresas não possuem uma taxa de exportação alta, e por essa razão, a produção paranaense não deve ficar muito prejudicada com a crise econômica da Argentina.
Porém, de acordo com Cordeiro, podem ocorrer mudanças no cenário econcômico nacional que devem surtir efeitos no parque automotivo do Paraná. O racionamento de luz, mesmo que o Sul não esteja incluído, pode afetar o desempenho da economia, afetando as vendas e, consequentemente, a produção, ponderou. Segundo ele a possibilidade do aumento das taxas básicas de juros, que devem ser anunciadas hoje pelo Banco Central, além da desvalorização cambial, podem frear a produção.
De acordo com números do sindicato - contabilizando as demissões ocorridas no final do ano passado e as que vão acontecer -, desde o início do ano até junho de 2001, o parque automotivo do Paraná terá perdido 1.090 postos de trabalho. A geração de emprego no Estado é ilusório, criticou Clementino. Segundo o secretário-geral do sindicato, Cláudio Gramm, o problema é muito grande porque toda a cadeia produtiva (fornecedores das montadoras) vai ficar prejudicada, perdendo cerca de 10% da mão-de-obra.


