Produção de trigo cresce 13% este ano
Guto Rocha
De Londrina
A produção de trigo na próxima safra de inverno deve crescer cerca de 13%, passando dos 2,3 milhões de toneladas da última safra para 2,6 milhões. Uma série de fatores deve contribuir para este crescimento. A previsão foi feita ontem pelo analista do mercado de trigo, Murilo Ribeiro de Castro Parada, da Trigonet, durante palestra no 1º Seminário Técnico do Trigo que acontece em Londrina. O Seminário é promovido pelo Iapar e Embrapa com apoio de empresas da área de insumos.
O analista observou que a seca que atrasou o plantio da soja no Paraná, deve provocar duas situações para o produtor. A primeira, segundo ele, seria a opção pelo milho safrinha. O cenário é otimista em termos de preço para o milho, mas isso também acabaria refletindo positivamente nas cotações do trigo, uma vez que muitas indústrias podem optar pelo trigo na fabricação de ração, comentou.
Mas o analista alerta que os produtores que estiverem fora do prazo e optarem pelo milho safrinha correm um risco de frustração. Há quatro anos o Paraná não tem uma geada forte, e este ano isso pode acontecer, comentou. Neste caso, a opção pelo o trigo seria a melhor saída, na opinão de Parada. O trigo é uma cultura de inverno que resiste muito bem a geadas, comentou.
Do ponto de vista de oferta e demanda, o analista afirmou que o cenário para a cultura do trigo é bastante positivo. O consumo deve passar dos 9,3 milhões de toneladas no ano passado, para cerca de 10 milhões este ano, comentou. Parada disse que nos últimos cinco anos o consumo brasileiro de trigo vem registrando crescimento médio de 3% ao ano. O crescimento da economia proporcionou aumento do consumo de massas, comentou.
Com isso, observou, a demanda pelo trigo nacional será maior este ano. Parada observou que a Argentina principal fornecedor do cereal para o Brasil apresenta este ano um quadro de oferta muito parecido com o do ano passado neste mesmo período. Apesar de a produção ter sido muito maior (16 milhões de toneladas), a safra que está sendo comercializada já foi 45% vendida, comentou, observando que no ano passado, nesta mesma época, apenas 28% da produção argentina havia sido comercializada. Isso está acontecendo porque a Argentina fez exportou grandes volumes para fora do Mercosul, disse.
Agora o quadro se inverte, comentou o analista, porque os preços começam a ceder com a proximidade de entrada da safra de trigo do Canadá e Estado Unidos. Parada disse que isso não deve se refletir no Brasil, porque como nesta safra o trigo argentino apresenta baixa qualidade, os moinhos vão preferir o produto nacional. Para importar de outros países os moinhos tem de pagar os 13% previstos na Tarifa Externa Comum (TEC) prevista no acordo dos países do Mercosul, afirmou.





