Produção de soja brasileira será rastreada a partir desta safra
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terça-feira, 18 de junho de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O Ministério da Agricultura vai credenciar empresas nacionais e internacionais para fazer a rastreabilidade da soja, com o objetivo de evitar a exportação de soja transgênica. Além disso, o governo federal está pleiteando um aumento de recursos para reforçar a fiscalização nos estados produtores para ter maior controle sobre a produção e comercialização do produto.
A instrução normativa prevendo o credenciamento de empresas será assinada nos próximos dias pelo ministro Marcus Vinicius Pratini de Moraes. A operação de rastreabilidade da origem da soja será deflagrada em todos os estados produtores ainda nesta safra 2002-2003. A rastreabilidade ganha fôlego em caso de liberação do plantio de soja geneticamente modificada prevista para este ano.
O ministério vai normatizar todos os procedimentos para o plantio, armazenagem, comercialização e exportação da soja. A intenção é garantir a origem da soja convencional para os mercados que querem comprar especificamente esse tipo de produto como China, Japão e países da União Européia.
As empresas que serão credenciadas devem apresentar tradição na classificação e emissão de certificados de origem dos produtos, informou Paulo Luiz Valério Borges, assessor em Biotecnologia do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura.
Borges antecipou que o trabalho de rastreabilidade, que será executado pelas empresas credenciadas, deverá ser feito basicamente junto a cooperativas que reúnem maior número de produtores de soja. As empresas vão verificar durante a fase de plantio, se a variedade plantada está registrada no Ministério da Agricultura. Essa é uma garantia para que os produtores não plantem variedades contrabandeadas de soja, mesmo porque o plantio ainda é proibido, salientou.
O acompanhamento da soja será feito também durante a armazenagem e comercialização, através de testes de laboratório, que vão atestar a qualidade do produto. A expectativa é que a soja esteja totalmente rastreada antes de chegar no porto, informou Borges. A preocupação é identificar quem vai pagar a conta dessa estrutura que não será barata, avisou.
Segundo Borges, certamente os países que fazem questão de comprar a soja produzida de forma convencional terão que pagar um adicional pela produção. Mas ele admitiu que produtores e cooperativas terão que fazer o investimento inicial para serem ressarcidos depois com o pagamento adicional por parte dos países compradores.Todo esse esquema ainda será debatido com as cooperativas, tranquilizou Borges.


