Valor do gado de corte no Brasil aumentou no último ano e, por isso, o reflexo no consumo de sêmen ainda tende a ser sentido



A produção de sêmen bovino aumentou 62,2% no País no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, conforme o Index divulgado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia). Apesar do crescimento, houve retração nas vendas de doses de 1% para o gado de corte e de 27% para o leiteiro. A diferença se deve ao bom momento para o setor nacional de carnes, que faz com que as empresas de genética se preparem para uma demanda maior, e aos efeitos da crise econômica, que diminuem a busca momentaneamente, dizem especialistas.
Foram 3.278.991 doses produzidas no primeiro semestre deste ano, das quais 2.923.190 para raças de corte e 355.801 para as de leite. Diante do baixo valor pago aos criadores de gado leiteiro, houve diminuição de 33% na geração de sêmen para a atividade. Já as vendas foram de 2.662.547 doses de corte e 1.692.396 doses de leite no período. De acordo com a Asbia, a expectativa é de que ocorra uma ligeira recuperação do mercado até o fim do ano devido à falta de fêmeas de boa qualidade genética.
O presidente da Asbia, Carlos Vivacqua Carneiro da Luz, afirma que não há um único motivo para a queda nas vendas no primeiro semestre. "São um conjunto de fatores e, dentre eles, está a insegurança do consumidor no primeiro semestre e o baixo valor pago ao leite neste mesmo período, além de toda a instabilidade econômica que o Brasil vive", diz, por meio de nota. Ele completa que a recuperação do valor pago ao produtor leiteiro começou apenas nos últimos meses, o que não permite o equilíbrio econômico da atividade.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Afrânio Brandão, lembra que o valor do gado de corte no Brasil aumentou principalmente no último ano e, por isso, o reflexo no consumo de sêmen ainda tende a ser sentido. "Quando se prevê recuperação nos preços, muitos produtores voltam a se preocupar mais com genética e até os que desistiram da pecuária começam a voltar", cita.
Brandão considera que a abertura do mercado dos Estados Unidos para a carne in natura brasileira tende a gerar novo incentivo à atividade. "Eles comprarão pouco do Brasil, mas a exportação para lá serve como um aval para o resto do mundo de que o produto nacional é de boa qualidade."
Para o presidente da Associação Nacional de Produtores de Bovino de Corte, Alexandre Turquino, a genética tem sido grande aliada comercial do setor. "O touro da raça Angus não se adapta bem às regiões mais quentes do País, porque é de origem inglesa e tem pelo alto. O que o pessoal tem feito é fazer o cruzamento industrial S1 (com o Zebu), que melhora a qualidade e diminui o tempo de abate", diz. Ele considera que um bezerro puro demora até três anos e meio para ser abatido, tempo que diminui para dois anos com o meio sangue.
O diretor presidente da Araucária Genética Bovina, Marcelo Vezozzo, vê o mercado em crescimento. A expectativa é que a empresa londrinense venda 25% mais doses neste ano, resultado que ele credita ao fato de ainda ser um empreendimento relativamente novo e à variedade de opções. "A demanda pela raça Angus cresce ano a ano, porque o produtor sabe que pode ser melhor remunerado em até 7% pela venda dessa carne", conta. Com mais gordura e mais marmorizada, esse tipo de produto é mais macio e têm mais apreciadores no País.
Vezozzo lembra que a genética permite até mesmo escolher variedades com aproveitamento 50% maior de carcaças, o que também eleva a remuneração. "O Brasil também está exportando mais sêmen, porque a parte sanitária está melhorando e já chegamos à Ásia e à América Central."

MERCADOS
O Paraná é o terceiro maior mercado para vendas de sêmen das raças leiteiras, com 14% do total. O Estado fica atrás apenas de Minas Gerais (32%) e Rio Grande do Sul (16%). Entre as raças de corte, as maiores compras foram em Mato Grosso (22%), Mato Grosso do Sul (16%) e Goiás (11%).
As vendas externas foram de 101.554 doses no semestre, mas com comportamento inverso ao do mercado nacional. A comercialização de doses de leiteiras foi de 63.928 para 84.659, com mais compradores na Colômbia e na Costa Rica. No corte, as vendas caíram de 43.026 doses para 16.895, com Paraguai e Argentina como maiores importadores.

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