Produção de safrinha pode dobrar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de maio de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Se o clima colaborar, o Paraná deve produzir 96% a mais de milho safrinha do que no ano passado, quando a estiagem causou quebra de 40% na produção. A mais recente estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) é que o Estado colha 4,16 milhões de toneladas nesta segunda safra. A chegada nesse patamar, porém, depende da não ocorrência de geadas. ''Trata-se de uma cultura de risco'', alertou a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Deral.
Além da maior produtividade, o aumento de 22,4% na área plantada é outro fator que deve motivar o crescimento expressivo da produção. Nesta safra foram semeados 1,2 milhão de hectares (ha), ante uma área de 985 mil ha no ano passado. O aumento na área da segunda safra de milho têm sido crescente nos últimos anos.
Para Vera, essa conjuntura indica que, cada vez mais, os produtores paranaenses apostam na soja como plantio de primavera-verão, deixando para plantar milho na safrinha. Essa tendência, segundo ela, coloca em risco o abastecimento de milho do País, pois o bom desempenho da safrinha depende do clima favorável.
A Conab estima que o Brasil deva produzir 40,8 milhões de toneladas de milho nas duas safras do ano, volume suficiente para atender a demanda de 36 milhões de toneladas do mercado interno mais as três milhões de toneladas que devem ser exportadas. ''A folga é pequena. O País é muito dependente da safrinha'', reforçou.
O comportamento dos preços do grão também é fundamental para garantir o abastecimento. ''Se cai muito, desestimula o produtor a plantar na próxima safra.'', afirmou Vera. Ontem, a saca ao produtor estava cotada ao preço médio de R$ 16,00 no Paraná. O preço ainda cobre o custo operacional médio de produção do Estado, calculado em R$ 13,21 por saca para produtividade de seis mil quilos por ha.
Na entressafra, em novembro passado, o produto chegou a valer R$ 25,00; caiu para R$ 20,78 no pico da colheita, em fevereiro; e estabilizou em R$ 17,50 há algumas semanas, quando o dólar estava variando pouco. Com a desvalorização da moeda americana, a cotação caiu ainda mais e chegou aos patamares atuais.
Para a engenheira agrônoma, a solução depende da oferta de formas de comercialização mais modernas para o milho, assim como acontece com a soja. ''É preciso haver garantia de preço para estimular o produtor a plantar na primeira safra''.
O cenário traçado por Vera não preocupa os principais consumidores de milho. Nelson Kowalski, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Moageiras (Abimilho), concorda que a safrinha é importante para o abastecimento, mas acredita em um crescimento na área da safra normal. ''O milho deve ocupar algumas áreas de pastagens. Além disso, os preços para exportação mantêm os preços internos'', aposta.
Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), defende que os preços serão interessantes ao produtor enquanto for mantida a paridade de dois para um entre as cotações da soja e milho. ''Caso contrário, pode desestimular o produtor'', afirmou.


