Produção de petróleo cai 60% com greve
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quarta-feira, 24 de outubro de 2001
Vânia Casado<br> com Agência Estado<br> De Curitiba 
A greve dos petroleiros iniciada ontem reduziu a produção nacional de petróleo em 60,24%, em relação ao dia anterior, passando de 1,383 milhão de barris para 550 mil barris, segundo a Petrobras. Essa é a primeira paralisação dos petroleiros no País desde 1995, quando ocorreu uma greve que durou 32 dias.
Na Bacia de Campos, que responde por 80% da produção nacional, a queda foi de 76,2%, com produção de 250 mil barris de petróleo, contra 1,5 milhão na terça-feira. Mas a empresa garantiu que os estoques são suficientes para atender ''com folga'' às necessidades do País durante os cinco dias de duração da greve, prevista para prosseguir até domingo.
A produção de gás natural também foi afetada, caindo 34,22%, passando de 38 milhões de metros químicos na terça-feira para 25 milhões de metros cúbico ontem.
Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP) a greve atingiu oito das 11 refinarias da estatal; todas as plataformas da bacia de Campos; campos de produção em terra nos estados Espírito Santo, Bahia e Rio Grande do Norte; terminais em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo; a fábrica de fertilizantes Fafen, em Sergipe; e o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro.
Os petroleiros reivindicam aumentos de 8,30% relativos à inflação, de 16,41% por produtividade e de 42,58% para repor perdas do Plano Real, o que totalizaria 67,2%. A Petrobras propôs um aumento de 6%, além do compromisso de rever procedimentos de segurança e passar a ampliar e renovar o seu quadro através da abertura de concursos públicos.
No Paraná, a greve dos petroleiros atingiu mais o setor operacional, que controla os equipamentos de produção. Apesar disso, a produção de combustível e de gás de cozinha não foi afetada. O Sindicato dos Petroleiros aposta na exaustão dos funcionários que permaneceram por mais de 25 horas dentro da refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária, para que a Petrobras se renda à negociação.
Dos 524 petroleiros que atuam na Repar, 160 trabalhadores aderiram ao movimento. Na troca de turno das 23h30 de terça-feira já não houve revezamento dos operadores.
A direção da Repar disse ter organizado dois grupos com 35 pessoas cada um para o revezamento e providenciado acomodações para descanso e para alimentação. O diretor do Sindipetro, Jaime de Oliveira Ferreira, ressaltou que o grupo escalado para revezamento é constituído por técnicos que estão afastados da função operacional há muito tempo e não têm o controle do manejo dos equipamentos como os funcionários da ativa.
A direção da unidade da Petrobras de São Mateus do Sul também organizou um grupo de contigenciamento para substituir os petroleiros grevistas. Em Paranaguá, os petroleiros optaram por atrasar a entrada do expediente, em função de uma situação delicada que é o restate do navio Norma, encalhado na baía de Paranaguá.


