O frio bastante intenso no fim de agosto e começo de setembro, seguido por um longo período de chuva, provocou uma quebra na safra do pêssego de aproximadamente 30%. Segundo o agrônomo Edir Osmar Buske, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) da Lapa - maior produtor de pêssego do Estado - as alterações climáticas alteraram o ciclo e atrasaram o início da colheita em 15 dias.
''A colheita deveria ter começado em meados de outubro, mas só há poucos dias foi iniciado esse processo. Não há dúvida que esse atraso vai pesar no bolso dos consumidores em até 50%'', afirmou Buske. Ele lembrou que, no ano passado o quilo do pêssego e a nectarina era vendido pelo produtor de R$ 0,50 a R$ 0,70, dependendo da variedade, a ameixa oscilava de R$ 0,50 a R$ 1. Hoje, o preço dessas frutas varia de R$ 1 a R$ 2,50 o quilo.
Buske comenta que não sabe como o mercado vai se comportar no meio de dezembro. Pode até ser que o preço dessas frutas sejam reduzidos por ser o período alto da colheita. ''Acho difícil, pois não haverá uma superoferta desses produtos este ano, além disso o mercado está muito comprador'', frisou.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), o Paraná conta com uma área de 1,7 mil hectare para a produção de pêssego. A região da Lapa é a maior produtora com uma área de 760 hectares, seguido de Araucária com 82 hectares. A safra de 2004 no Estado fechou com a colheita de mais de 18 mil toneladas da fruta e rendeu uma renda bruta - preço recebido pelo produtor - de aproximadamente R$ 25 millhões.
A cultura de frutas de caroço é de grande importância econômica e social, pois com uma estrutura fundiária baseada em minifúndios e com disponibilidade de mão-de-obra familiar, esses produtores encontram na fruticultura uma ótima alternativa de diversificação da matriz produtiva, absorção da mão-de-obra familiar e geração de renda em pequenas áreas.(E.Z.)

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