Produção de milho pode superar a de soja no PR
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terça-feira, 05 de junho de 2012
Andréa Bertoldi <br>Equipe da Folha 
Curitiba - A produção de milho no Paraná deve ser 55,1% maior que a de soja neste ano. A soja foi muito prejudicada com a estiagem entre os meses de novembro de 2011 e março de 2012. Agora, a esperança é a segunda safra de milho que tem previsão de produção de 10 milhões de toneladas, volume 61% maior do que a safrinha 2010/2011. Considerando a primeira e segunda safras de milho estão previstas 16,3 milhões de toneladas contra 10,8 milhões de toneladas de soja. No entanto, tudo vai depender do clima colaborar para que as estimativas sejam consolidadas.
Os dados foram divulgados ontem na pesquisa Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve uma aceleração pelo plantio do milho, quando os produtores viram que iam perder com a soja. A previsão para a safra nacional é de 160 milhões de toneladas, segundo o IBGE, e para o Paraná de 30,8 milhões de toneladas.
''Existe uma forte preocupação em relação ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio com as perdas que a soja e milho tiveram'', disse o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Francisco Carlos Simioni. Hoje, o Estado é o segundo produtor de soja nacional (só perdendo para o Mato Grosso) e o primeiro de milho.
Ele destacou que o setor do agronegócio geralmente é o primeiro que ''apanha'' nas crises, mas também é o primeiro a se recuperar. Ele acredita que os impactos dos resultados do Sul devem representar queda no PIB agropecuário do ano no País. Na semana passada, o IBGE divulgou uma queda de -7,3% no PIB agropecuário no primeiro trimestre de 2012. ''Só vamos recuperar com uma safra cheia e em condições normais de clima e mercado'', afirmou. ''Dificilmente vamos atingir os mesmos níveis do PIB do ano passado'', concluiu.
Na soja, a expectativa inicial para o Paraná era de 14,2 milhões de toneladas no começo de 2012. Agora, a quebra já atinge 24,2% com prejuízo estimado em R$ 3,2 bilhões. No milho de primeira safra a estimativa inicial era de 7,7 milhões de toneladas e caiu para 6,3 milhões de toneladas ou uma quebra de 15%. Já são contabilizados R$ 422 milhões de prejuízo para a cultura do milho.
Simioni destacou que somados soja, milho e feijão, as perdas chegam a R$ 3,83 bilhões. Para o feijão, a previsão inicial era de 435,5 mil toneladas e caiu para 352 mil o que representa uma redução de 20% com um prejuízo de R$ 179,4 milhões.
Ele lembrou que o lado positivo depois de todas as perdas que ocorreram é que há uma boa sustentação dos preços das commodities. Segundo ele, atualmente, entre 12% a 15% da safra de soja que será plantada em setembro já está comercializada. Geralmente, esta marca só é atingida em agosto ou setembro.
O chefe do Deral destacou também que o milho está com custo de produção melhor que o trigo. O custo do milho está em R$ 12 a R$ 15 a saca de 60 quilos e o trigo de R$ 23 a R$ 25 a saca. A produtividade do milho atingiu 5,5 quilos por hectare, enquanto a do trigo está em 2,8 quilos por hectare. ''O milho tem mercado e liquidez. O trigo tem concorrência da Argentina, Estados Unidos, Canadá, Ucrânia e Rússia'', disse.


