Produção de milho deve cair 20,5%
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terça-feira, 09 de agosto de 2016
Vinicius Neder<br>Agência Estado 

Rio - A estimativa da área total de grãos a ser colhida pelos produtores agrícolas brasileiros em 2016 é de 57,6 milhões de hectares, em linha (-0,1%) com 2015. Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de julho, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O arroz, o milho e a soja - os três principais produtos da safra nacional - respondem por 87,5% da área total a ser colhida e por 92,5% da produção estimada. Em relação a 2015, houve aumento de 2,9% na área prevista da soja e reduções de 0,4% na área do milho e de 9,6% na área de arroz.
Já as avaliações da produção em 2016 em relação a 2015 foram negativas em 0,9% para a soja, 14,7% para o arroz e 20,5% para o milho.
SOJA
Com a colheita de soja encerrada, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola projeta safra de 96,3 milhões de toneladas, recuo de 0,2% em relação à produção registrada em 2015. Houve queda na produtividade, já que a área plantada de soja aumentou 2,9% em 2016 ante 2015.
Regionalmente, o Mato Grosso segue como o principal produtor da oleaginosa do País, com 27,9% da produção. "A colheita (do Estado) estimada em 26,9 milhões de toneladas é 0,9% menor que a de junho, em função da redução no rendimento médio", diz o IBGE em nota.
MILHO
As condições climáticas que prejudicaram a primeira safra de milho persistiram durante a segunda safra do grão, segundo o LSPA. Na estimativa de julho, o IBGE projeta uma safra total de milho de 68 milhões de toneladas, 3% abaixo da estimativa para a safra total feita em junho. Quanto à segunda safra de milho, a projeção do IBGE é de produção de 42,8 milhões de toneladas, queda de 23,8% ante 2015.
"A estiagem foi a causa principal (da queda na produção), exceto no Rio Grande do Sul, onde o excesso de chuvas declinou a avaliação do rendimento médio em 0,4%, e para o Mato Grosso, onde a área plantada reduziu-se em 1,5% e a expectativa de rendimento médio caiu 0,4%", diz nota distribuída pelo IBGE, referindo-se às comparações entre as estimativas de junho e julho.
A seca no cerrado em 2016 está mais forte do que nos últimos anos e atingiu em cheio a safra de milho, principal responsável pelas estimativas de que a produção nacional de grãos encerre o ano com a maior quebra em 20 anos. A avaliação é do gerente do LSPA, Claros Alfredo Barreto Guedes. "É natural do cerrado chover pouco nesta época do ano, mas não tão pouco assim", disse.
As estimativas do IBGE pioraram na passagem de junho para julho porque a seca no cerrado persistiu e continuou afetando a segunda safra de milho. Segundo Guedes, o tombo é ainda maior porque a participação da segunda safra no total cresceu na última década (em 2016, deverá responder por 63% do total) e o clima favorável dos últimos anos levou agricultores a apostarem mais na cultura.
"Nos últimos três, quatro anos, o clima foi muito bom no cerrado, melhor do que o histórico, com chuvas acima da média. Os produtores foram apostando cada vez mais no milho de segunda safra, agora, a queda quando veio foi um tombo", afirmou o técnico do IBGE.


