Produção de massas chega a 1 milhão de t
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de agosto de 1998
Rosangela Capozoli Agência Estado 
Josoé de CarvalhoCoexistência pacíficaPresença de massas importadas, de alto padrão e preço baixo, não impediu expansão dos produtos nacionaisA produção de massas secas supera as expectativas do setor. No primeiro semestre foram produzidas 550 mil toneladas, o que significou um crescimento da ordem de 17,02% sobre igual período de 1997. Para o ano a estimativa é dobrar, batendo no 1,1 milhão de toneladas, o que significará um salto de 19,57%, diante de uma projeção inicial que oscilava entre 10% e 15%. O faturamento deverá alcançar R$ 1,6 bilhão contra R$ 1,550 bilhão no ano anterior.
Por conta disso, as indústrias estão acelerando os investimentos. Para o ano serão desembolsados cerca de R$ 90 milhões entre modernização de equipamentos e marketing, segundo dados de Aluízio Quintanilha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima).
O Pastifício Selmi, dono das marcas Galo e Renata, está na lista das empresas empenhadas em atualizar o seu parque industrial. Paulo Hermann, diretor comercial, não quis revelar o montante investido na unidade de Londrina, na troca de uma máquina com capacidade para produzir 3.500 quilos/hora de massas/hora ante os 500 quilos fabricados hoje. Mas o novo equipamento, ele conta, começa a operar em outubro. No semestre, a empresa já contabiliza aumento nas vendas de 10% sobre mesmo período do ano passado.
Dona Benta Renato Garcez, diretor geral da J. Macedo Alimentos, a maior empresa brasileira do setor de moinhos, massas e pães, com receita líquida de R$ 482,7 milhões no ano passado, sendo 15% proveniente de massas e 30% da comercialização da farinha Dona Benta, está dispensando maior atenção à área de massas. Dos 13 milhões direcionados ao marketing cerca de R$ 3 milhões serão destinados para o macarrão, afirma.
A empresa tem motivos de sobra para se dedicar ao segmento. Só neste semestre os negócios engordaram 30% sobre os primeiros seis meses deste ano e a previsão é de um faturamento líquido de R$ 506 milhões em 1998. A J. Macedo comercializa as marcas Brandini no Norte e Nordeste e Premiata no restante do Brasil.
Explicações A explicação para os bons resultados, segundo representantes das indústrias, se baseia em três fatos: fortes aumentos dos preços registrados no arroz e feijão, estimulando o consumidor a migrar para o macarrão, queda média nos preços de até 10% e a seca no Nordeste provocando a reação do segmento, devido às compras para as cestas básicas.
As compras para os programas do governo representam um grande estímulo para as indústrias, já que permitem alimentar cinco pessoas ao custo de R$ 4,00, contando com o molho, afirma Garcez. Pelas contas de Quintanilha, ao longo do ano passado o governo adquiriu 60 mil toneladas no semestre contra 50 mil toneladas durante todo ano passado.
Apesar dos bons negócios, o Brasil ainda tem um consumo per capita muito distante em comparação a outros países, ou seja, 5 quilos. Na vizinha Venezuela, esse número chega a 12 quilos/ano, EUA 10 quilos e 30 quilos na Itália, maior consumidor mundial. A meta, explica o presidente da Abima, é alcançar a marca dos 8 quilos nos próximos quatro anos.


