Produção de mandioca cai 29% no Paraná nesta safra
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sexta-feira, 18 de abril de 2003
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Descontentes com os baixos preços da mandioca nos últimos dois anos, os produtores paranaenses investiram menos na cultura para a safra 2002/03. O resultado é uma redução de 29,11% na área do Estado, que refletirá em decréscimo de um milhão de toneladas na produção. Nesta safra, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), o Paraná deve produzir 2,4 milhões de toneladas, ante 3,4 milhões do ano anterior.
Maior produtor brasileiro de amido de mandioca, o Estado respondeu, em 2002, por 72% da produção do País. A redução na área de plantio paranaense, portanto, vai interferir negativamente nos resultados da indústria nacional, que deve produzir 539 mil toneladas de fécula em 2003. O volume é 19,55% menor que as 670 mil toneladas obtidas no ano anterior. Os dados são da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), sediada em Paranavaí.
A conjuntura, aliada aos altos preços do trigo e do milho (que concorrem com a fécula de mandioca), aqueceu a demanda e elevou a cotação da raiz. Em março, o preço médio da tonelada da mercadoria, no Paraná, foi R$ 161,00. No mesmo mês do ano anterior, o produto valia R$ 54,77.
Produtores, porém, não se animam com a valorização. Cleto Lanziani Janeiro, de Paranavaí, reduziu a área de 60 para 50 hectares (ha). ''Não aumento porque receio que os preços voltem a cair'', disse ele, que tem enfrentado dificuldades para encontrar terras para arrendar. ''Como a soja está valorizada, aumentou muito o custo do arrendamento. É inviável pagar R$ 1,5 mil adiantado por alqueire. O produtor fica sem capital de giro.''
Lanziani Janeiro também comentou que muitos produtores gostariam de investir na cultura para aproveitar os preços, mas estão descapitalizados por causa da crise dos últimos anos. ''Tem pouca gente arrancando mandioca nesta safra. Vai faltar recurso para investir'', disse.
Para incentivar os produtores, a Abam está instiuindo o programa ''Plantio de Mandioca Responsável'', que tem o objetivo de aumentar a produção da raiz de forma gradativa e planejada. Maurício Yamakawa, presidente da entidade, revelou que a meta é obter crescimento de 30% ao ano a partir do ano que vem. Em 2008, o objetivo do setor é alcançar uma produção anual de dois milhões de toneladas de fécula.
O produtor de raiz deve aderir ao programa por causa da garantia de um preço mínimo pela indústria. No Centro-Sul, que abrange os estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, o valor não será inferior a R$ 80,00 por tonelada, que correspende ao custo de produção estimado. ''No Oeste e Noroeste do Paraná, o preço mínimo para o ano que vem será de R$ 100,00'', adiantou Yamakawa.
O agricultor Lanziani Janeiro, que tem custo de R$ 100,00 por tonelada de mandioca produzida, aprovou o valor estipulado pela Abam. ''Não deixa margem de lucro, mas assegura o custeio da lavoura. É uma garantia'', avaliou.


