Milton DóriaAgostinho Ludovico: ‘‘Produtores ainda praticam pecuária leiteira extrativista’’A produção de leite no Norte Pioneiro será debatida no próximo dia 18 de junho, em Ribeirão do Pinhal, durante o ‘‘Fórum de Debates: A Bacia Leiteira do Norte Pioneiro’’. O evento vai abordar os cenários e tendências do setor, a a cadeia produtiva do leite, custos e sistemas de produção e a realidade regional. O fórum é promovido pela Emater-PR, Secretaria Estadual de Agricultura e prefeitura de Ribeirão do Pinhal.
Segundo o médico-veterinário e extensionista da Emater de Cornélio Procópio, Agostinho Ludovico, a bacia leiteira do Norte Pioneiro é formada por produtores de 46 municípios, que têm com sede Santo Antonio da Plantina e Cornélio Procópio.
Ludovico afirma que os principais problemas enfrentados pelo setor na região é a falta de qualidade, pequena escala de produção e uso ineficiente do solo destinado às pastagens.
O extensionista afirma que aproximadamente 80% dos produtores da região tem produção diária de leite de no máximo 50 litros, com uma média de 3,5 litros/vaca/dia. E apenas 3% dos produtores tem uma produção superior a 200 litros/dia, com média de 9,3 litros/vaca. Segundo Ludovico, a escala mínima para o produtor ter uma lucratividade deve ser de 300 litros/dia. Na Argentina, a produção média é de 15 litros vaca/dia com produção diária entre 400 e 450 litros/dia.
Ludovico observa que a maioria dos produtores da região se caracteriza pela criação de rebanhos misto, ou seja, os mesmos animais são destinados para produção de leite e de carne. O rebanho utilizado também é misto, sem a utilizão de raças especializadas na produção de leite.
A criação é feita com uma nutrição inadequada, não utilizando suplementação no coxo. ‘‘Os produtores praticam uma pecuária extrativista’’, afirma Ludovico. Ele observa que os produtores fazem uso ineficiente do solo nas áreas destinadas às pastagens.
Segundo ele, a lotação de animais no pasto é muito pequena por causa da falta de bons pastos. Os produtores com produção de até 50 litros/dia, ocupam um hectare de pasto com uma média de 1,01 animal. ‘‘Um pasto com manejo adequado poderia comportar 4,5 vacas/ha’’, diz.
O médico veterinário afirma que o baixo nível nutricional dos animais, além de provocar baixa produção de leite, dificulta a prenhez das vacas. ‘‘As vacas ficam muito tempo sem produzir porque não pegam cria’’, diz. Ludovico diz que os animais da região ficam 64% do tempo sem produzir leite.
Ludovico afirma que os produtores que não se atentarem para os fatores que limitam a produção e consequentemente a renda, vão acabar desistindo da atividade. ‘‘Isso já vem acontecendo’’, afirma. Segundo o veterinário, mais de 95% dos produtores do Norte Pioneiro ainda utilizam a ordenha manual. O preço pago pelo litro na região varia entre R$ 0,16 e R$ 0,31, dependendo do laticínio e da qualidade do produto entregue. Ele afirma que na Argentina, o produtor recebe em média R$ 0,14/litro. ‘‘Mesmo assim os argentinos conseguem sobreviver porque são eficientes e conseguem produzir em escala’’, comenta.
O Fórum de Debates é destinado para produtores, técnicos, cooperativas, produtores de insumos. ‘‘Queremos a participação de políticos da região também’’, comenta o extensionista. O evento vai contar com a participação de Marcos Jank, da Esalq-USP, do pesquisador da Embrapa-Leite, Leovegildo Lopes de Matos, dos pesquisadores do Iapar, Laerte Felipe e Thiago Peline, e do consultor especializado na produção de leite, Joseph Kramer.

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