Produção de leite cresce 8,6% no País e beneficia setor
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quinta-feira, 02 de outubro de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
A intensa produção leiteira em todo o território nacional em 2014 aponta para um cenário positivo para o setor este ano, apesar de leve retração nos preços. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o balanço do primeiro semestre, com uma captação total de 11,98 bilhões de litros, um incremento significativo de 8,6%. Quando contabilizado o segundo trimestre do ano (abril, maio e junho), a alta foi de 8,4%. Os dados contemplam o volume de leite adquirido pelos laticínios, com algum tipo de inspeção, seja municipal, estadual ou federal.
No Paraná, também houve uma leve ascensão da produção, mas não tão intensa como a da média nacional. Segundo os dados do IBGE, a alta foi de 472,2 milhões de litros para 476,2 milhões no primeiro semestre, uma variação percentual de 0,84%.
Para especialistas do setor, o aumento da produção está ligado diretamente aos investimentos na atividade em 2013, que estão refletindo agora, principalmente em alimentação, que gera bons resultados prontamente. "No ano passado, a remuneração estava mais interessante para o produtor. Ele aproveitou o momento e investiu na alimentação", explica a analista da Scot Consultoria, Juliana Pila.
Outro fator que influenciou na melhor alimentação dos animais, agora em 2014, foi a retração dos preços da soja e do milho, commodities ligadas diretamente na composição da ração das vacas leiteiras. No Paraná, por exemplo, entre março e setembro, a soja despencou 15%, chegando à casa dos R$ 50 a saca, enquanto o milho retraiu 23%, sendo comercializado a R$ 17,8 a saca de 60 kg no mês passado. Os números são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná (Seab).
Se por um lado existe um aumento da disponibilidade de leite em todo o território nacional, por outro a pressão baixista sobre os preços para o produtor se intensificou. Em setembro, o preço do leite pago ao produtor caiu em praticamente todas as regiões que compõem a "média Brasil" (MG, RS, SP, PR, GO, BA e SC) do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, após se manter estável por três meses seguidos. O valor líquido (sem frete e impostos) pago recuou 0,81% de agosto para setembro, fechando a R$ 1. Em relação a setembro do ano passado, o preço está 8,9% inferior em termos reais.
Já no Paraná, o litro do produto oscila entre R$ 1,01 e R$ 1,02 nos últimos meses. Porém, quando comparado a setembro do ano passado, a retração também ocorre, em torno de 2,8%. Até agora, a média de preços no Estado em 2014 é de R$ 0,99 o litro, enquanto em 2013 fechou em R$ 0,94. "Houve uma queda de preço, mas não avalio como significativa. Acredito que o produtor ainda está como uma margem de lucro que gira na casa dos R$ 0,30 no Paraná. Ele está conseguindo alimentar o rebanho com qualidade, está chovendo bem, o que auxilia a pastagem, sem contar que as exportações estão interessantes por aqui", explica o técnico do Deral, Fábio Mezzadri.
No primeiro semestre, o Paraná exportou 210% a mais em volume em comparativo ao mesmo período de 2013: de 635 toneladas para 1,96 mil toneladas. Em receita, o aumento foi de US$ 2,72 milhões para US$ 8,85 milhões, incremento de 225%.



